Serviços familiares ficam negativos pela primeira vez
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quinta-feira, 16 de julho de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
O consumo de serviços prestados às famílias caiu 1,4% em maio sobre o mesmo mês de 2014, o primeiro resultado negativo na série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho puxou para baixo e colocou a receita nominal do setor positiva apenas em 1,1% no mesmo comparativo, o que mostra a insegurança do consumidor em relação à desaceleração da economia nacional.
A variação negativa, porém, poderia ser ainda maior se fosse descontada a inflação no período de 12 meses. O IBGE não faz a comparação mensal ou deflacionada, porque requer uma série histórica de quatro anos. A pesquisa foi inaugurada em agosto de 2013, com coleta de dados desde janeiro de 2012. Porém, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) contabiliza queda real de 6,6% para o indicador geral da PMS, com base na inflação do setor medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Conforme o IBGE, a redução do poder aquisitivo da população ocupada em relação a maio de 2014 é evidenciada pelo recuo de 5,0% no rendimento médio real habitual e pela inflação de preços da alimentação fora do domicílio, acima da média global do IPCA de maio. Assim, a atividade confirmou a desaceleração que já vinha desde março, quando marcou alta de 2,5% sobre o mesmo mês de 2014, e o crescimento de 1,2% em abril. Nas subdivisões, os serviços de alojamento e alimentação caíram 1,6% e outros serviços prestados às famílias, 0,6%.
Outra atividade com desempenho negativo em maio foi serviços de informação e comunicação, com queda de 0,8%. Tiveram alta nominal outros serviços (0,3%), transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (0,8%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (5,5%).
Economista da CNC, Bruno Fernandes afirma que a deterioração do mercado de trabalho tem acentuado a retração dos indicadores. "Mostra a perda do poder de compra, a alta da inflação e a menor renda familiar."
Fernandes considera que a queda é generalizada, porque não considera a diferença da inflação. Por isso ele acredita que o País pode ter uma surpresa negativa em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), cuja estimativa do Banco Central é de queda de 1,5% no ano. "Os serviços representam 70% da economia e estão em processo de desaceleração, com uma inflação que não deve ceder muito", diz.
Para o professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), os números fracos representam um fim de ciclo econômico, mas a queda foi abrupta porque foi agravada pela perda de confiança nos governantes. "Houve um choque de credibilidade em todos os âmbitos, porque seguraram por tempo demais os reajustes e lançaram um pacotaço de alta nos preços e de tributos que causou receio", diz.
Nascimento lembra que os índices de inadimplência estão altos e que há medo de desemprego. "Existem empresários que já veem alguma reação no segundo semestre, porque famílias e empresas começam a assimilar os problemas, mas a situação não vai melhorar de forma tão rápida quanto piorou."
Em restaurantes e lanchonetes de Londrina, a solução para manter o giro de produtos tem sido fazer promoções. O gerente do Dá Licença do Calçadão, Sidnei Sabino de Sousa, afirma que o movimento caiu cerca de 20% desde janeiro. "Temos feito alguns pratos mais baratos para atrair clientes, por mais que nosso público-alvo seja das classes B e C", conta.
A gerente do Cantinho Dú Pastel, Erli Berg, mostra os vários cartazes nas paredes da lanchonete com preços mais em conta para a compra de pacotes com muitos salgados. "São muitas pessoas desempregadas e as pessoas só compram se veem que temos promoções", afirma.


