Serviços é o menos afetado por crise
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
O setor de serviços do Paraná não sofreu com os reflexos da crise de econômica de 2008 e fechou com crescimento de 4% o ano seguinte com um receita operacional líquida (diferença entre a receita bruta e o pagamento de impostos, abatimentos, descontos e vendas canceladas) de R$ 36,92 bilhões. Os dados foram apresentados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) de 2009. O levantamento mostrou ainda que 532,2 mil trabalhadores estavam empregados no setor há dois anos, em mais de 65,4 mil empresas do Estado. No País, a receita operacional líquida do segmento cresceu 10,9% em 2009 ante 2008, com o valor de R$ 745,4 bilhões.
De acordo com Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, a principal justificativa para que o setor de serviços permanecesse estável naquele período turbulento é que não houve queda na renda da população. Leite explica que, na época, a dificuldade estava para quem trabalhava com crédito, como a venda de automóveis e imóveis. ''A indústria acabou sofrendo mais. Os serviços têm valores mais baixos e alguns são de necessidade básica para a população'', avaliou ele.
No Paraná, os transportes e seus serviços auxiliares acumularam a maior receita bruta, fechando em R$ 16,08 bilhões e mais de 136 mil empregados em 2009. Na sequência, ficaram os serviços de comunicação e informação, com receita de R$ 13,4 bilhões e de profissionais, administrativos e complementares, com R$ 8,37 bilhões.
Gilberto Antonio Cantu, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar) e empresário do ramo em Curitiba, comentou que o setor de cargas não sofreu com a crise - mesmo com os problemas enfrentados pela indústria - e ainda terminou o ano de 2009 com um crescimento de 5%. ''Como disse o presidente Lula na época, foi apenas uma marolinha. O Paraná possui vertentes industriais e agrícolas muitos fortes, e quando um não está indo bem, a outra acaba puxando todos para cima.''
Cantu explicou ainda que o mercado interno para o transporte de cargas está muito aquecido, tanto que em 2010, de acordo com a Associação Brasileira de Transporte Logística e Carga (ABTC), cresceu quase 20% no ano passado. ''Dois pontos positivos foram mantidos: o crédito Finame e a isenção do IPI, o que nos auxilia na renovação da frota. Em 2011, deveremos manter um crescimento relativamente bom, em torno de 7%.''
Entretanto, algumas empresas que trabalhavam com clientes internacionais acabaram sendo prejudicadas. A transportadora Rota 90, de Ibiporã, possuia 80% de clientes multinacionais. ''Tivemos uma queda significativa na época, sofremos juntos com nossos clientes de outros países. Em 2010, começamos a fazer um trabalho de novos negócios e este ano está sendo muito bom. Nossa estimativa é fechar com crescimento de 15%.''


