Serviços e agropecuária elevam número de vagas formais
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Isabel Sobral<br> Agência Estado 
Brasília - Com a ajuda dos setores de serviços e agropecuária, o saldo líquido de demissões e contratações em abril foi de 106.205 vagas formais. Com isso, o estoque de empregos formais na economia subiu 0,33% em relação a março, para 32.041.756 vagas. O resultado é visto pelo governo como um sinal inequívoco de recuperação, e já motivou o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, a divulgar a primeira previsão de novas vagas em todo o ano. ''Arrisco dizer que teremos, neste ano, mais de um milhão de novos empregos'', disse.
Essa sensação, no entanto, divide o mercado e há quem preveja a necessidade de maior redução dos juros básicos da economia para estimular a criação de vagas. Quando comparado com dados do ano passado, os resultados mostram o quanto a crise financeira prejudicou o mercado de trabalho. De janeiro a abril, foram abertos 48.454 empregos com carteira assinada, resultado 94,29% menor que os 848.962 empregos formais criados no mesmo período do ano passado.
''Houve uma evolução mais fraca em postos na indústria do que a gente imaginava'', disse o economista da LCA Consultores Fabio Romão. Segundo ele, o resultado de abril é ''realmente pífio''. Mas, para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, os dados de abril mostram uma surpresa positiva.
De qualquer forma, o resultado de abril foi comemorado pelo ministro Carlos Lupi porque além de representar o terceiro dado positivo no ano é a primeira vez em que o saldo de demissões e contratações fica positivo no acumulado de 2009, a indústria parou de demitir pela primeira vez em cinco meses: o saldo foi positivo em 186 novas vagas. O resultado do emprego no mês passado é também três vezes maior que o de março, quando foram criados 34.818 empregos formais.
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor de serviços liderou as contratações em abril, com a abertura de 59.279 postos de trabalho (55,8% do total), seguido da agropecuária, com 22.684 vagas. O comércio também criou 5.647 vagas. O único setor que ainda mostra saldo negativo é o de extrativa mineral, com eliminação de 582 vagas.
Também como anteciparam especialistas, o comércio voltou a registrar saldo líquido de empregos formais positivo em abril, de 5.647 ocupações, após quatro meses seguidos de resultados negativos. Os lojistas do comércio atacadista e varejistas voltaram a encomendar produtos à indústria, após reduzirem os estoques nas vendas realizadas no primeiro trimestre do ano. Com isso, influenciaram positivamente a contratação de novos empregados.
Em termos geográficos, o Caged de abril mostrou que quatro das cinco regiões do País tiveram saldos positivos de empregos formais, sendo o Sudeste o destaque com 99.065 vagas abertas. O Centro-Oeste ficou em segundo com 19.402 postos de trabalho. Apenas a região Nordeste teve saldo negativo, com a eliminação de 24.622 vagas.


