Serviços crescem 5,7% no País em junho
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terça-feira, 19 de agosto de 2014
Pedro Soares<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - Apesar de um esperado efeito positivo em razão da Copa, o setor de serviços não registrou bom desempenho em junho, mês que teve início o Mundial. O crescimento foi de 5,7% frente a junho de 2013. Trata-se da menor marca da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em janeiro de 2012.
Os números divulgados ontem mostram o chamado faturamento nominal do setor, que não considera a evolução da inflação - o que dificulta a análise do real desempenho do serviços, já que não considera a variação dos preços de cada segmento do setor, o de maior peso na economia. Em maio, os serviços haviam registrado expansão de 6,6% e, em abril, de 6,2%. Os dois índices já haviam sido os mais baixos nos 12 meses anteriores de cada um deles.
Em maio, o pequeno avanço frente a abril ocorreu por conta da alta de serviços prestados às famílias (inclui turismo e alimentação) e transporte, setor impulsionado pelo ramo aviação - já num primeiro sinal de impacto da Copa, com a antecipação da compra de passagens aéreas. Os dados do IBGE de junho sinalizam que o efeito da Copa pesou negativamente para o setor por conta do menor número de dias úteis. É que os serviços atendem a outros ramos, especialmente à indústria, que parou parcialmente suas linhas de produção em dias de jogos.
Outra hipótese, dizem analistas, é que nesses dias de jogos as pessoas também não procuraram alguns serviços, como médicos, dentistas e cabeleireiros. Por fim, muitas empresas também dispensaram mais cedo seus trabalhadores em dias de jogos do Brasil ou em feriados nas cidades-sede.
Havia a expectativa que o setor, durante o Mundial, tivesse seu desempenho turbinado pela presença de turistas, com a movimentação acima do normal em bares, restaurantes, hotéis e todo o setor de turismo, além dos transportes, pelo deslocamento entre as cidades-sede. Com o resultado de junho, o setor acumulou alta de 7,4% de janeiro a junho e 8% em 12 meses. Foram também os menores índices da série histórica do IBGE para tais períodos.
Setores
O ramo que mais perdeu ritmo em junho foi o de transportes, o de maior peso na pesquisa do IBGE. O crescimento foi de 4,6% em junho, abaixo dos 7,5% em maio. O segmento é o mais ligado à indústria e ao comércio, que demandaram menos transportes de cargas diante do menor número de dias úteis em razão da Copa. O mesmo motivo pode explicar a freada da categoria de serviços profissionais, administrativos e complementares (consultorias, serviços terceirizados e profissionais liberais). O crescimento de 7,8% em maio desacelerou para 7,3% em junho.
Por outro lado, o melhor desempenho ficou com o de serviços prestados às famílias, que inclui alimentação fora de casa, bares, hotelaria, turismo e outros. A alta foi de 11,2%. Esse segmento foi um dos poucos beneficiados pela Copa do Mundo. Tal constatação surge do crescimento mais expressivo da categoria de alojamento e alimentação, cuja expansão foi de 12,1%, acima dos 11,8% de maio (quando já havia uma antecipação de reservas de hotéis para o Mundial, por exemplo) e dos 10,8% de abril.
Os dados mostram ainda que houve uma antecipação da compra de passagens em abril e maio, quando o segmento de transporte aéreo havia crescido 18,3% e 16,5%. Em junho, quando os preços dos bilhetes subiram 21,95%, houve uma forte desaceleração, com alta de só 4,5% para o segmento. Outro ramo que pode ter sido impulsionado pelo Mundial foi o de serviços de informação e comunicação, cujo crescimento passou de 4,4% em maio para 5,7% em junho. Um dos principais destaques ficou com a categoria de serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias, com expansão de 22,8% em junho graças à cobertura do evento esportivo.



