A crise econômica que atinge o País chegou ao setor de serviços. A pesquisa mensal do segmento realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou um crescimento nominal de 7% no setor no Paraná em março. No entanto, o levantamento não considera a inflação. Descontando o índice inflacionário do período calculado pelo IPCA, a queda real no Estado em março foi de 1,50%. No Brasil, o crescimento nominal foi de 6,1% mas, descontando a inflação, houve queda de 1,9% no período.
No primeiro trimestre do ano, os serviços acumulam crescimento nominal de 1,2% no Paraná, porém o resultado real foi negativo em -2,8%. No País, o crescimento nominal foi de 2,9%, mas a taxa real ficou em -0,97%.
O professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Alves Porsse, explicou que descontando a inflação, o crescimento real é negativo. "O setor está em retração e acompanha o cenário nacional. Serviços é sempre o último (setor) a sofrer os efeitos de um quadro recessivo", avaliou.
Ele reforçou que o segmento começa a ser afetado. "Temos um espalhamento da crise", afirmou. Porsse acredita que a tendência é que o setor de serviços continue em trajetória de queda em função do quadro econômico com juros ascendentes, endividamento das famílias e o novo ajuste fiscal a ser colocado em prática pelo governo federal.
De acordo com ele, o ajuste fiscal deve trazer "novos choques de contração econômica". E, com isso, a atividade econômica deve reagir com redução de desempenho, prevê o professor.
O IBGE apontou ainda que os setores do comércio com maiores crescimentos nominais em março no Paraná foram serviços prestados às famílias (que inclui alimentação) com alta de 7,1%, transportes com crescimento de 9% e serviços profissionais, administrativos e complementares com 16,9%.
O diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Luciano Bartolomeu, disse que o tíquete médio tem diminuído nos restaurantes no jantar e as pessoas têm saído menos à noite. No almoço, os consumidores têm dispensado bebidas e sobremesa também para gastar menos. A previsão dele é que o setor pode desacelerar mais no segundo trimestre deste ano. Ele comentou que nos últimos dois anos abriram muitos restaurantes no Estado mas agora a tendência é diminuir o número de estabelecimentos.
Segundo Bartolomeu, os restaurantes e lanchonetes têm se mantido em função da presença maior da mulher no mercado de trabalho. Ele comentou que hoje, do total do orçamento destinado para alimentação, 31% é para gastos com refeições fora do lar. Isso pela comodidade e porque também custa mais caro contratar uma cozinheira para a casa.
O vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar-PR), Fernando Klein, não acredita no crescimento nominal apontado na pesquisa do IBGE. Ele exemplificou que o setor de transporte que atende a cadeia automotiva caiu 40% entre dezembro de 2014 e março de 2015 no Estado. E ele disse não esperar melhora neste ano por conta do cenário econômico nacional e internacional.

mockup