Serviços básicos consomem mais de 90%
Rio de Janeiro - A coordenadora dos Índices de Preços do IBGE, Mácia Quintsler, lembra que aumentou o acesso dos brasileiros a bens e serviços, como TV a cabo, celular, saneamento básico, energia elétrica, além de outros gastos como impostos e contribuições.
Muitos destes gastos, principalmente tarifas de eletricidade, telefonia e outros, subiram acima da inflação nos últimos anos, o que pressionou o orçamento domiciliar.
Famílias com renda acima de R$ 6 mil usam 8,7% das despesas totais para aumentar ou reformar o patrimônio. A mesma fatia desaba para 2,2% para os que têm renda de até R$ 400. Os mais pobres reservam, em média, R$ 3,10 ao mês para a compra de imóvel e os mais ricos, R$ 623,19 - valor 200 vezes maior.
Os dados da POF mostram, ainda, que a parte do orçamento comprometida com as despesas básicas nas últimas três décadas avançou de 79,9% para 93,3%, parcela que sobe para 95,2% incluindo-se as despesas para amortização de dívidas.
Dos R$ 1.465,31 gastos com consumo, a maior parte (35,5%) agora vai para habitação, à frente de alimentação (20,8%) e de transportes (18,4%). Os gastos com alimentação perderam espaço. Lideravam, no passado, com fatia de 35,5%. Em sociedades mais avançadas, o peso de alimentos tende a ser menor, porque a população pode pagar mais serviços e bens sofisticados de consumo. No caso brasileiro, houve impacto da diversificação dos gastos e aumento de preços.
As estatísticas mostram que desde o início da década passada, os preços da habitação (aluguel, energia elétrica, água e esgoto) cresceram 66% acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado (4.100.000%, desde 1991). A variação da eletricidade foi o dobro da inflação média. O uso do telefone celular já responde por 0,63% dos gastos familiares no Brasil. (AE)





