Serviços ainda mantêm saldo positivo de emprego
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sexta-feira, 17 de julho de 2015
Nelson Bortolin <br>Reportagem Local 
O setor de serviços é o único que ainda mantém saldo positivo de postos de trabalho no País neste ano. Ontem, o Ministério do Trabalho divulgou o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês de junho. Considerando todos os setores, foram fechadas 111.199 vagas no País, 8.893 no Paraná e 464, em Londrina, no mês passado.
No acumulado do primeiro semestre, o Brasil fechou 345.417 empregos. Apesar de chegar ao terceiro mês consecutivo perdendo postos de trabalho, Paraná e Londrina ainda mantêm saldos positivos de 13.205 e 1.875 vagas, respectivamente, no ano. Isso graças ao desempenho melhor do mercado de trabalho no primeiro trimestre.
O saldo de empregos em Londrina no acumulado do ano continua sendo o maior do Estado, em valores absolutos. Depois vem o de Pato Branco, com 1.691, Cascavel, com 1.684 vagas criadas e o de Maringá, com 1.486. A capital fechou 3.590 postos de trabalho de janeiro a junho de 2015.
Além da indústria, que já vinha sofrendo nos anos anteriores, o Caged mostra que o comércio do País foi fortemente atingido pela crise. Neste setor, de janeiro a junho, foram fechadas 181,8 mil em todo o território nacional; 3.972 no Estado; e 257 em Londrina. Os serviços ainda mantêm, no acumulado do ano, um número maior de admissões do que de demissões. No Brasil, o setor gerou 43,1 mil vagas; no Estado, 14 mil; e, em Londrina, 2,2 mil.
O diretor de Estatísticas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, ressalta que o Paraná não é uma ilha e que vem sofrendo os efeitos da conjuntura macroeconômica do País. "Inflação, juros altos, endividamento das famílias, tudo isso afeta as empresas", declara.
Para ele, a agroindústria é, no momento, o segmento que vem segurando a economia paranaense, tanto é que os empregos criados no Estado estão no interior e não na Região Metropolitana de Curitiba. "Já, há alguns anos, que o interior vem abrindo mais postos de trabalho devido à agroindústria", atesta. De fato, o saldo da indústria da transformação do Estado (-1.084 vagas) teria sido mais negativo no primeiro semestre não fossem os 6.138 postos de trabalho gerados no subsetor da indústria de produtos alimentícios.
O secretário municipal do Trabalho, Márcio Corrêa, admite que a situação do emprego no País é problemática, mas diz sentir-se aliviado pelo fato de a situação de Londrina não ser tão grave. Considerando todos os setores, a cidade criou 1.556 vagas em janeiro, 1.550 em fevereiro e 473 em março. Em abril, começou a curva negativa, com o fechamento de 760 vagas. Maio e junho também apresentaram saldos negativos, porém, menos expressivos: -480 e -464, respectivamente. "Ainda continuamos em primeiro lugar (no saldo de emprego)", ressalta o secretário.
Ele acredita que setores como a indústria da construção civil e comércio podem apresentar melhores resultados ainda neste ano. "Temos expectativa de que, no segundo semestre, a situação melhore devido a alguns projetos da construção civil e também devido às vendas de final de ano", declara.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, é menos otimista. "Infelizmente, nos últimos meses, estamos vendo o aumento da dispensa de funcionários. Conversando com os empresários, não vemos muitas perspectivas de melhora neste ano", afirma. Ele ressalta a inflação e os juros altos e nenhuma sinalização de baixa da carga tributária para justificar a falta de otimismo. "Ainda não estamos vendo ações que possam reverter esse quadro", declara.


