Órgãos públicos também ‘‘lucram’’ com os canteiros de trabalho penitenciário. Existem 15 órgãos entre secretarias de Estado, departamentos e fundações que utilizam a mão-de-obra carcerária em suas atividades. Além de garantir a reintegração dos presos à sociedade, esses convênios reduzem os custos com pessoal.
No Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) trabalham 25 internos da Colônia Penal Agrícola há cerca de dez anos. O chefe de segurança do Detran, Oriel Teodoro dos Santos, conta que os presos fazem serviços gerais e trabalham no almoxarifado. ‘‘O Detran havia terceirizado alguns serviços mas agora não é mais necessária a contratação de empresas para cuidar dos jardins e limpeza.’’
Como o convênio do Detran com a Colônia Penal é um dos mais antigos do Estado, muitos detentos que passaram por ali já concluíram suas penas. ‘‘Quando a pessoa trabalha bem, nós a indicamos para as empresa e já aconteceu de ex-detentos serem empregados por recomendação do Detran’’, explica o chefe de segurança.
O canteiro de trabalho também está gerando economia para a Fundação de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar). Desde 1996, a oficina interna da Penitenciária do Estado, em Piraquara, faz a recuperação de conjuntos de carteiras escolares do sistema público de ensino. O convênio prevê como mínimo mensal a recuperação de 200 carteiras pelos detentos.
Segundo a chefe do departamento de suprimentos da Fundepar, Maria Isabel de Paula, o canteiro de trabalho permite a recuperação das carteiras de todas as escolas da rede estadual na Região Metropolitana de Curitiba. ‘‘Não contratamos mais empresas para fazer esses serviços, fornecemos a matéria-prima e os detentos entram com a mão-de-obra’’, explica. (E.C.)

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