Serviço não atrai as mais jovens
Curitiba - Não há quase pessoas jovens trabalhando como domésticas, com exceção das babás. O número de diaristas vem diminuindo por conta da escolarização maior. As informações são da presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de Curitiba, Lindacir de Oliveira.
Segundo ela, as filhas das atuais domésticas viram que a categoria não era muito reconhecida e as mães também não incentivaram a entrada das filhas na área. "As mulheres jovens têm procurado cursos de cabeleireiro e manicure", afirma. De acordo com Lindacir, há até mulheres que preferem não ter o registro em carteira para que esta profissão não conste no histórico profissional.
Ela diz ainda que depois da recente regulamentação do trabalho das domésticas, agora, ao menos, as trabalhadoras são reconhecidas como uma categoria. Outra conquista para as domésticas, segundo ela, é ter o mínimo regional. Com isso, o menor salário a ser pago no Paraná é de R$ 914.
Com a escassez de mão de obra, Bernardino Roberto de Carvalho, presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Paraná, acredita que os trabalhadores que continuarem na área e se especializarem podem ganhar bem no futuro.
A proprietária da Dudy Mariah Empregos Domésticos, Dudy Vargas de Lara, afirma que hoje já é difícil as famílias conseguirem contratar uma empregada doméstica por menos de R$ 1 mil. E as diaristas têm cobrado em média R$ 100. Segundo ela, a maior parte das trabalhadoras possui mais de 40 anos. "Chego a encaminhar até pessoas de 60 anos", conta.
Com a nova regulamentação, Dudy acredita que muitas famílias dispensaram empregadas mensalistas porque os encargos sociais subiram muito. "Os patrões se apavoraram", diz ela, lembando que algumas famílias contrataram três diaristas diferentes na semana para fugir dos encargos.
A doméstica mensalista Vilmara Ribeiro, de 51 anos, começou trabalhando na casa de amigos dos pais dela. Ela, que cursou até o 9º ano do ensino fundamental, já atuou também como cuidadora de idosos. "Gosto do que faço. Prefiro trabalhar como mensalista porque oferece mais segurança e direitos. Como diarista é ruim, porque um dia tem trabalho e no outro não."
Glória Alves da Silva, de 55, trabalha como doméstica desde os 12 anos de idade, sempre como mensalista. Ela foi apenas alfabetizada, nasceu em Adrianópolis e uma tia a trouxe para Curitiba para trabalhar na casa de uma família. "Não gosto muito do que faço, mas não tem outra saída", afirma. (A.B.)





