Serviço desponta como vilão nos 10 anos do código do consumidor
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de setembro de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
Há 10 anos, as relações entre consumidores, comerciantes, fabricantes, fornecedores de produtos e prestadores de serviço começavam a mudar com a publicação, no Diário Oficial da União, do Código de Defesa do Consumidor. Sem informações sobre seus direitos, os consumidores, de forma geral, acabavam comprando gato por lebre e quase nunca tinham a quem reclamar. A situação vem mudando. Os Procons no Paraná, são 41 atendem milhares de reclamações todos os dias, desde prosaicas queixas contra produtos danificados a até denúncias bizarras como briga de casais. Mas nos últimos anos um segmento tem se destacado entre os campeões de queixas dos paranaenses: os serviços. Companhias telefônicas, planos de saúde e instituições financeiras dispararam no ranking da insatisfação do clientes.
No Procon Paraná, o setor lidera, seguido de produtos e assuntos financeiros. O cidadão está exercendo mais os seus direitos. Ele quer rapidez no atendimento e produtos de qualidade, conclui a coordenadora substituta do Procon do Paraná, Maria Izabel Verni. Desde 1995, a quantidade de reclamações aumenta 25% por ano no órgão, que atende a região metropolitana de Curitiba e que é subordinado à Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania. Maria Isabel recomenda aos consumidores que exijam notas e comprovantes na hora de comprar produtos ou na contratação de serviços autônomos.
Até o mês passado, o Procon do Paraná registrou cerca de 50 mil reclamações. Em 99, foram feitas 72.987 queixas. Comparada à população de 1,5 milhão de pessoas existentes na região, o número é pequeno, considerou Maria Izabel.
Os Procons também se tornaram referência para informações e reclamações dos cidadãos em geral. Não é raro aparecer casos esdrúxulos como brigas de marido e mulher e discussão entre vizinhos. Dos cerca de 50 mil atendimentos feitos pelo Procon do Paraná até o mês passado, 3,8 mil eram de reclamações que não podiam ser resolvidas pelo órgão. Nós encaminhamos as pessoas para delegacias e outros locais mais indicados, disse Maria Isabel. (O telefone do Procon do Paraná é 0800-411512).
Em Londrina, o que tira o sono dos consumidores são as contas telefônicas de interurbanos. As queixas contra a Embratel fizeram o número de atendimento diário no Procon local saltar de 35 para 70 nos últimos dois meses. As principais reclamações do londrinense referem-se à data de vencimento de faturas das ligações.
O prazo legal para a cobrança é até 90 dias após o telefonema. Mas alguns usuários estão recebendo faturas de interurbanos feitos em janeiro ou fevereiro, diz o coordenador do Procon em Londrina, Rogério Marçal. Apenas 30% destas reclamações estão sendo solucionadas, segundo Marçal.
A assessoria de imprensa da Embratel informou, na última sexta-feira, que o atraso na emissão de faturas se deve à demora da operadora local no envio dos cadastros com os dados das contas. Pela regulamentação da Anatel, as contas DDD com mais de 90 dias em atraso e as contas DDI com mais de 150 dias de atraso deverão ter as condições de pagamento negociadas com os clientes. Segundo a assessoria, para ficar operacionalmente ideal o sistema de fatura vai necessitar, em média, de nove a dez meses para ajustes.
Outros campeões de reclamações no Procon de Londrina são os setores de produtos e prestação de serviços. O perfil do consumidor londrinense que procura o Procon é da classe trabalhadora, menos abonada, nota Marçal. Outras queixas comuns referem-se ao aumento do valor das mensalidades dos planos de saúde e a recusa de cobertura de exames e cirurgias. (As reclamações podem ser feitas pelo número 3001010).


