Sericicultura quer indústrias no PR
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terça-feira, 22 de abril de 1997
Guto Rocha 
Josoé de CarvalhoNovos temposMário Guimarães: Governo precisa repensar a cultura do bicho-da-seda Com uma série de reivindicações dos produtores de bicho-da-seda, foi aberto ontem à noite, em Cambé, o 17º Congresso da Comissão Sericícola Internacional. O evento vai reunir até sábado mais de 150 técnicos, pesquisadores e produtores de 23 países no Village Praça de Eventos. O delegado do Ministério da Agricultura no Paraná, Mário Bezerra Guimarães, que é secretário-executivo do evento, diz que o congresso vai discutir desde o cultivo de amoreiras até questões genéticas e mercadológicas. O evento foi aberto com a presença do governador Jaime Lerner e do ministro da Agricultura em exercíco, Ailton Barcelos Fernandes.
O presidente da Comissão Nacional de Sericicultura, Osvaldo da Silva Pádua, disse que no final do congresso será elaborada uma carta para os governos Estadual e Federal com as principais reivindicações do setor. Entre as reivindicações, está o pedido de liberação de recursos na ordem de R$ 13,5 milhões para a instalação de uma indústria que verticalize a produção do Estado. Os produtores do Paraná estão em busca de parcerias que viabilizem a a instalação de indústrias para que a produção de casulo seja transformada por aqui, criando empregos e gerando mais divisas para o Estado, diz.
Segundo Pádua, o Paraná exporta para outros Estados, principalmente São Paulo, 50% da produção de casulo verde. São recursos que estão indo embora, comenta. A intenção do setor é de que, além da produção de fio, as indústrias produzam também a seda, e se possível, confeccione as roupas. Ele afirma que o Paraná tem capacidade para abrigar indústrias de seda em três regiões: Norte Pioneiro, Oeste e Noroeste. No Paraná, existem três indústrias que transformam o casulo em fio, a Bratac, em Londrina, a Kanebo, em Cornélio Procópio e a Cocamar, em Maringá.
O setor pede ainda mais facilidade de acesso ao crédito. Pádua diz que por se considerada uma atividade pecuária, os produtores têm dificuldades de conseguir linhas de crédito. Queremos que os produtores tenham acesso aos recursos do Pronaf, já que é uma atividade familiar, afirma.
Falta indústriaOsvaldo de Pádua: A produção do Paraná deve ser industrializada por aqui
Pádua diz que o setor também é carente de assistência técnica por falta de pessoal especializado. Temos até tecnologia disponível, mas que não chega ao produtor, afirma. Segundo ele, a produção média no Paraná varia entre 300 e 400 quilos casulo/ha. Mas produtores mais tecnificados chegam a produzir 1,2 mil quilos na mesma área, afirma.
O Brasil produziu na última safra 17 mil toneladas de casulos verdes. O Paraná é responsável por 82% desta produção, sendo que o município de Nova Esperança, responde por 13% da produção nacional. No Paraná, a atividade conta com mais de oito mil produtores e ocupa mais de 40 mil pessoas.
O delegado do Ministério da Agricultura, Mário Guimarães, diz que o governo deve repensar a cultura do bicho-da-seda no País devido a importância econômica e social da atividade. Segundo ele, a cadeia produtiva da seda gera US$ 123 milhões/ano. O governo precisa investir mais em pesquisas, buscar acordos com indústrias do exterior, promover a profissionalização dos produtores e assim melhorar a produtividade e qualidade, diz.


