Sercomtel terá ações em bolsa em 98
A Sercomtel deve ter ações cotadas em bolsa ainda neste ano, segundo o presidente da empresa, Rubens Pavan. Ele participou ontem do seminário Mercado de capitais e novas oportunidades de investimentos, promovido pela Bolsa de Valores do Paraná, no Hotel Sumatra, em Londrina.
Segundo Pavan, o processo de abertura de capital da Sercomtel, que anunciou este mês a venda de 45% das ações da empresa para a Copel, está praticamente pronto. A próxima etapa será a convocação de uma assembléia extraordinária para tratar do assunto’’, diz Pavan, que pretende lançar títulos da operadora telefônica, no futuro, também na bolsa norte-americana.
Pavan afirma que o ingresso da Sercomtel no mercado de capitais dependerá dos projetos futuros da empresa, que agora tem co-gestão. ‘‘Só vamos levar as ações ao mercado quando houver necessidade de captar recursos para novos investimentos’’, garante. ‘‘Talvez tenhamos que alavancar recursos no segundo semestre deste ano para viabilizarmos projetos como o Teleporto e Infovias’’.
Segundo o presidente da Sercomtel, devem ser colocadas à venda apenas ações preferenciais, que não dão direito a voto. ‘‘O município quer continuar no controle da empresa, pelo menos por enquanto’’, enfatiza Pavan. ‘‘No mercado de capital internacional, a Sercomtel poderá receber ajuda da Copel, que já fez transações deste tipo com sucesso’’.
Promovido em conjunto com a prefeitura de Londrina, Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e Gazeta Mercantil, o objetivo do seminário foi tentar despertar o interesse dos pequenos e médios empresários de Londrina para o mercado de capitais.
O presidente da Bolsa de Valores do Paraná, Abilio Peixoto Neto, disse no encontro que estuda a implantação de um escritório regional da Bolsa em Londrina. ‘‘Pretendemos atingir o empresariado local’’.
A Bolsa de Valores do Paraná tem 50 anos de existência e 28 empresas listadas - que negociam sua ações em bolsa. No Brasil, existem 540 empresas listadas em bolsas. ‘‘Os empresários paranaenses precisam perceber as boas oportunidades de negócios disponíveis no mercado de capitais’’, diz Peixoto.
O presidente da Inepar, Atilano de Oms Sobrinho, falou sobre sua experiência no mercado durante o seminário. Segundo ele, a empresa montou um planejamento estratégico em 1970, estabelecendo o mercado de capitais como principal fonte de recursos. ‘‘Grande parte do nosso desempenho se deve ao mercado de capitais’’, diz ele. ‘‘Aliás, o mercado é um instrumento de alavancagem de dinheiro muito mais rápido do que os financiamentos bancários. Hoje, uma operação de debêntures é feita em 60 dias’’.
‘‘Através do mercado de capitais, uma empresa que lucrou R$ 80 milhões no ano passado, por exemplo, tem condições de investir até R$ 700 milhões no período seguinte, utilizando-se do capital do mercado’’, exemplifica Oms Sobrinho. ‘‘O mercado é ágil e gosta de projetos de risco, desde que o empresário tenha condições de transformar o projeto que está no papel em um grande negócio’’.
Para o presidente da Inepar, um dos segredos para obter sucesso junto aos investidores é montar um plano conservador, com condições de ser cumprido. ‘‘A crença no grupo faz os investidores comprarem de novo quando os papéis voltarem ao mercado’’, afirma Oms Sobrinho. (C.L.)

mockup