Imagem ilustrativa da imagem Sercomtel tem preço mínimo de mercado de R$ 83 milhões
| Foto: Marcos Zanutto/13-07-2018


O valor de mercado estimado para a Sercomtel é de no mínimo R$ 83,5 milhões e de no máximo R$ 93,2 milhões, conforme auditoria realizada a pedido da Copel e fechada no terceiro trimestre do ano passado, à qual a FOLHA teve acesso. Sem a privatização da estatal de telefonia londrinense, o documento aponta também a necessidade de ganhos aproximados de R$ 25 milhões ao ano durante uma década, seja em receita ou aporte, para cobrir o fluxo de caixa necessário.

O preço pode aumentar diante do interesse de grandes multinacionais já no mercado no negócio. Em entrevistas no passado, diretores de empresas como a Tim anunciaram interesse na aquisição de empresas regionais e estatais de telefonia, como a Copel Telecom, Cemig Telecom e Sercomtel, para aumento da base de clientes de banda larga ou mesmo de celulares.

Segundo informações repassadas à FOLHA, auditores recomendaram a alienação de ações por meio de leilão público, para ter melhor resultado na operação de venda. A composição do valor mínimo da Sercomtel considerou que a SA de Telecomunicações vale R$ 49,6 milhões e a Participações, R$ 23,7 milhões. O braço de Iluminação está avaliado em R$ 6,1 milhões e o Contact Center, da qual os acionistas majoritários detêm 99%, em R$ 4,0 milhões.

O presidente da Sercomtel, Cláudio Tedeschi, confirma os valores no documento. Ele diz que, em paralelo à elaboração do edital para privatização da estatal autorizado pela Câmara dos Vereadores, os funcionários tomam medidas para elevar o preço da companhia. “Estamos trabalhando junto aos acionistas majoritários e ao governo para tentar melhorar o perfil de dívidas tributárias, para tornar a empresa ainda mais lucrativa.”

A Sercomtel enfrenta um processo de caducidade da concessão de telefonia fixa, aberto pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) no ano passado, após a apresentação do balanço de 2017 apresentar que a empresa tinha R$ 230 milhões em dívidas de curto e médio prazos. A cassação da licença ameaça inviabilizar as operações da estatal.

Um grupo de acionistas minoritários, com 0,0001% dos papéis com direito a voto e capitaneado pelo fundo de investimentos 10 de Dezembro, propôs um aporte de R$ 120 milhões, injetados no caixa da empresa e revertidos para emissão de novas ações, que garantirão o controle de 51% das ações com direito a voto e 70% das preferenciais, de acordo com análise de valores de dezembro de 2018. Assim, Prefeitura e Copel, que possuem no momento 55% e 45% das ações, respectivamente, ficarão com participação aproximada de 25% e 24%.

A proposta levou a Anatel a suspender o processo. Prefeitura e Copel, porém, apresentaram a proposta de colocar recursos para garantir o fluxo de caixa, até a privatização por leilão. Segundo Tedeschi, o prefeito Marcelo Belinati se comprometeu oficialmente com a Anatel por meio de carta, em reunião na última terça-feira (18), em Brasília.

DESVALORIZAÇÃO

Sócio da Balera Advogados, que faz assessoria jurídica para a 10 de Dezemrbo, Fábio Berbel afirma que apontar um valor para a Sercomtel é uma tarefa árdua, porque a estimativa encolhe a cada dia. “Estamos pessimistas [sobre o processo de capitalização] porque fizemos uma proposta em dezembro e, de lá para cá, a receita caiu e muito.”

Berbel afirma que o valor da companhia se dilui em uma dívida milionária e que, dependendo do método de análise, o preço de mercado pode chegar a ser negativo em R$ 270 milhões. “Quem comprar vai ter de assumir dívidas. Na prática, a companhia será vendida por R$ 1.”

A solução apontada por ele continua a ser a aceitação dos R$ 120 milhões em aporte por parte da 10 de Dezembro, proposta que está condicionada a questões ainda não resolvidas, como a resolução de divergências sobre o capital da Sercomtel. “Essa oferta, 'se' realmente formos formalizá-la, é a opção que resta”, cita Berbel.

Diretoria estuda fazer 'leilão de capitalização'

O presidente da Sercomtel, Cláudio Tedeschi, afirma que empresa e representantes dos acionistas Prefeitura de Londrina e Copel buscam a melhor forma de promover uma concorrência para concretizar a transformação da estatal em privada. A decisão pende mais no momento para um modelo em que seja possível “leiloar o direito de capitalização”. “Seria uma forma de respeitar a decisão do Supremo [Tribunal Federal] de fazer uma concorrência, injetar os recursos diretamente no caixa da Sercomtel, sem nada que vá para Prefeitura e Copel, para torná-la equilibrada e forte”, diz.

Assim, Prefeitura e Copel teriam a participação reduzida, mas as ações da companhia, tidas como de baixo valor, passariam a ser mais cobiçadas. Tedeschi não descarta que os acionistas possam vendê-las em um segundo momento, caso necessário, mas acredita que o melhor modelo é se manter como parte da sociedade. “O mínimo que a Anatel exige são R$ 120 milhões de capitalização e, assim, é possível sair da caducidade e passar a investir.”

Tedeschi conta que o edital da concorrência começará a ser debatido nesta segunda-feira (24), na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Ele estima que o processo demore no mínimo cinco meses.

Para o assessor jurídico da 10 de Dezemrbo, Fábio Berbel, um processo do tipo não demora menos que 18 meses, o que põe em risco a empresa.

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