A Sercomtel, operadora telefônica de Londrina, teve seu pedido de abertura de capital indeferido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no último dia 23. O pedido foi negado porque a operadora não enviou as informações adicionais solicitadas pela CVM.
‘‘A empresa não cumpriu as exigências. Depois de uma espera de cerca de 80 dias, entendemos que a companhia tinha perdido o interesse em abrir o capital’’, afirmou o gerente de acompanhamento de empresas da Comissão, Fábio Fonseca.
Ele disse que a necessidade de correção e atualização de informações é comum na hora da análise dos documentos. O prazo para o envio das respostas é de 60 dias.
A Sercomtel protocolou um pedido de registro como sociedade de capital aberto na CVM em fevereiro passado a fim de negociar suas ações na Soma. A intenção da empresa era captar recursos no mercado de capitais, através da emissão de ações preferenciais, que dão direito a um dividendo anual mínimo, mas não a voto.
O momento político acabou prejudicando a operadora, segundo o presidente da Sercomtel, Rubens Pavan. De férias no estado de Goiás, ele falou com a reportagem da Folha ontem à tarde, por telefone. Segundo Pavan, a CVM pediu esclarecimentos sobre as ações judiciais que impedem a venda de títulos em bolsa. ‘‘Não podíamos negar a existência destas ações’’, afirmou.
‘‘Nenhuma empresa que tem restrição na Justiça pode negociar títulos em bolsa. É uma forma da CVM proteger os investidores’’, disse Pavan, lamentando o indeferimento do pedido de abertura de capital. Ele afirmou que a Sercomtel precisava captar recursos no mercado de capitais para investir em novas oportunidades. ‘‘O mercado de telecomunicações está se abrindo. Podíamos investir em novos empreendimentos, promovendo o crescimento da operadora’’.
Pavan disse que, por ser uma empresa de capital misto, a Sercomtel está impedida de buscar recursos no mercado financeiro por causa de uma resolução do Banco Central. ‘‘O momento político e o anseio de alguns segmentos de barrar as iniciativas da Sercomtel prejudicaram sensivelmente a empresa’’, afirmou.
Além de ações populares na Justiça, a venda de 2,4 milhões de ações preferenciais da Sercomtel para a Corretora Banestado, realizada em maio de 1998, motivou a abertura de inquérito civil pelo Ministério Público (MP) de Londrina. A venda de 45% das ações da empresa para a Copel também são alvo de investigação pelo MP.

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