Cláudia Lopes
De Londrina
O lucro líquido de R$ 8 milhões e o faturamento bruto de R$ 137,9 milhões obtidos pela Sercomtel no ano passado devem contribuir para aumentar o interesse dos investidores pela empresa. A Sercomtel pretende estar pronta para operar no mercado de capitais nos próximos 40 dias, segundo o presidente da empresa, Rubens Pavan. O pedido de abertura de capital está sendo analisado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) desde o mês passado. Nas próximas semanas, a operadora vai enviar dados complementares à CVM, baseados no balanço de 99.
Os números do balanço foram divulgados ontem pela Sercomtel. No ano passado, a receita operacional líquida da empresa foi de R$ 103 milhões e, os investimentos, de R$ 43,2 milhões em novas tecnologias. A redução de despesas, implementada através de um plano de contenção que abrangeu vários setores da empresa, foi de R$ 35,6 milhões.
‘‘Embora tenha sido um ano difícil, de grande recessão, o desempenho financeiro da Sercomtel foi bom. Estamos numa posição confortável, comparado a outras empresas do setor como a Ceterp, de Ribeirão Preto, e a Tele Celular Leste, do Rio, que tiveram prejuízos. Ganhamos mais competitividade frente aos concorrentes’’, disse Pavan. A Ceterp, que também é uma empresa municipal, apresentou um prejuízo de R$ 28 milhões.
Em 1998, a Sercomtel teve um prejuízo contábil de R$ 18 milhões por conta da substituição de equipamentos de tecnologia analógica para digital. ‘‘Este foi nosso primeiro balanço no ambiente de abertura do mercado de telecomunicações’’, lembrou Pavan.
Para este ano, sua expectativa é obter um lucro líquido maior do que os R$ 8 milhões e um crescimento de 10% sobre o faturamento de 99. ‘‘Devemos ter uma receita bruta de cerca de R$ 150 milhões, além de um aumento no número de terminais instalados dos atuais 145 mil para 160 mil telefones. Apesar de não trabalhar com um número fixo, a lucratividade deve aumentar por causa de alguns ajustes para a redução dos custos’’, disse.
‘‘Sem dúvida, a saúde financeira da Sercomtel vai aumentar sua atratividade no mercado de capitais’’, prevê Pavan. Segundo ele, o nível de endividamento da operadora é o menor do Paraná, entre empresas de economia mista. ‘‘Isso mostra nossa capacidade de ocupação de novos mercados em outras cidades, depois da abertura total das telecomunicações, no próximo ano.’’