Presidente da Sercomtel, Claudio Tedeschi, considera “muito difícil” manter a companhia com a atual capacidade de investimento
Presidente da Sercomtel, Claudio Tedeschi, considera “muito difícil” manter a companhia com a atual capacidade de investimento

A Sercomtel Telecomunicações obteve lucro líquido de R$ 1,758 milhão no ano passado, depois de dois anos consecutivos de prejuízos, segundo balanço da telefônica londrinense que será apresentado a acionistas na próxima segunda-feira (29). O desempenho foi puxado por ações de enxugamento de custos e de passivos, mesmo em um cenário de receitas também em queda.

O resultado não impede que diretores continuem em busca de um modelo de gestão que traga investimentos para a companhia, para garantir a sobrevivência da Sercomtel. A estatal enfrenta um processo de caducidade da concessão de telefonia fixa na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que foi suspenso preventivamente depois de oferta de aporte por parte de sócios minoritários.

Depois de ter prejuízos de R$ 20,592 milhões em 2016 e de R$ 4,424 milhões em 2017, a Sercomtel conseguiu reduzir os custos em valores acima da queda de receitas. Apesar do recuo sobre 2017 de 4,9% nas entradas, que somaram R$ 260,834 milhões no ano passado, a empresa gastou 7,1% a menos no mesmo comparativo, para fechar em R$ 259,076 milhões em 2018.

O resultado positivo é explicado por meio do ARPU (Receita Líquida Mensal por Usuário, na sigla em inglês). Houve recuo de 6,5% no indicador em serviços de voz fixa e celular, mas crescimento de 22,0% no segmento de dados e banda larga. O número de clientes fechou 2018 em 247,4 mil acessos de telefonia fixa, 62,2 mil de móvel (dos quais 9,1 mil pós-pagos e 53,1mil pré-pagos) e 110,5 mil de dados e banda larga.

O presidente da Sercomtel, Claudio Tedeschi, afirma que os números indicam uma tendência mundial de substituição dos pacotes de voz por dados, somados à baixa capacidade financeira da companhia. “A telefonia fixa tem a tendência de desaparecer com o tempo e a celular tem a necessidade de investimento em tecnologia, como o 4G e 4.5G. O que temos mais próximo para dar retorno é fazer a extensão da fibra ótica e consequentemente vender dados em banda larga.”

Houve ainda redução de 6,3% no passivo total da empresa, que ficou em R$ 208,971 milhões. O indicador EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) foi mantido em 11% e a política de investimentos (CAPEX) em tecnologia da sociedade de economia mista fechou em patamar estável, aos R$ 19,317 milhões

Tedeschi conta que os números mostram os esforços para redução da máquina. “Há pouco tempo eram cinco diretorias em telecomunicações e mais três em cada uma das empresas interligadas, em um total de 14. Estamos com cinco no total hoje e isso é só uma das ações de enxugamento de custos”, diz. Sobre a redução no passivo da empresa, ele cita que se deve a decisões favoráveis em ações judiciais tributárias.

Processo na Anatel

O presidente da Sercomtel considera “muito difícil” manter a companhia com a atual capacidade de investimento. A Prefeitura de Londrina e Copel, que são os sócios majoritários, não dispõem de capacidade de investimento de longo prazo ou interesse, no caso da estatal de eletricidade. “Mesmo com esse pequeno lucro, estamos longe dos indicadores econômicos que são exigidos pela Anatel e precisaríamos de investimentos massivos em tecnologia e em propaganda.”

Por isso, ele cita a necessidade de alienação de ações dos controladores públicos ou aporte financeiro de sócios minoritários, que passariam a controlar a Sercomtel como uma sociedade anônima privada, como solução para evitar a cassação da concessão e consequente inviabilização da empresa. “Temos reuniões amanhã [hoje] no BNDES, no Rio, e à tarde na Bolsa de Valores em São Paulo. Precisamos encontrar uma solução para ter recursos e tornar a empresa competitiva novamente”, afirma Tedeschi.

As demonstrações financeiras foram auditados pela BEZ Auditores Independentes S/S, conforme normas nacionais e internacionais emitidas pelo IASB (International Accounting Standards Board). Os acionistas decidirão sobre a aprovação do balanço em AGO (Assembleia Geral Ordinária) na próxima segunda-feira.

Braço de Contact Center gera R$ 1,171 mi no ano

O diretor presidente da Sercomtel Contact Center, Luciano Kühl, afirma que o fortalecimento das relações com clientes contribuiu para o resultado
O diretor presidente da Sercomtel Contact Center, Luciano Kühl, afirma que o fortalecimento das relações com clientes contribuiu para o resultado

As renegociações de contratos com clientes, o aumento na quantidade de serviços prestados e o corte de gastos geraram lucro líquido de R$ 1,171 milhão no Balanço Financeiro da Sercomtel Contact Center em 2018, uma alta de 217,0% sobre 2017. Fatores como o redesenho de processos, redução de valores contratuais com fornecedores, alteração de modelos de remuneração, readequação de áreas internas e otimização de recursos também foram responsáveis pelo resultado lucrativo em 2018.

O diretor presidente da Sercomtel Contact Center, Luciano Kühl, afirma que o fortalecimento das relações com clientes contribuiu para o resultado, ao citar como exemplos a Sercomtel Telecomunicações, a Sercomtel Iluminação, a indústria farmacêutica Sandoz e o Hospital de Coração. “E agora existe a possibilidade de atender órgãos do governo do Paraná. O próximo ano de demonstração fiscal será um desafio grande, porque o enxugamento de despesas já foi feito em 2018, mas já corremos bem com os resultados neste primeiro trimestre e registramos lucro acumulado”, diz.

Para Khül, é possível descolar o braço da situação da Sercomtel Telecomunicações e, com o aquecimento da economia, o crescimento deve chegar a ao menos 10% em 2019.

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