Sercomtel registra R$ 65,4 milhões em prejuízo em 2012
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A Sercomtel divulgou ontem um prejuízo de R$ 65,403 milhões registrado em 2012. Os números se referem à telefonia celular e também à fixa. Este é o primeiro balanço após a incorporação de uma empresa por outra. O prejuízo é praticamente nove vezes maior que os R$ 7,28 milhões do ano anterior, quando a Fixa apresentou R$ 651 mil de resultado negativo e a Celular, R$ 6.629 milhões também negativos.
O presidente da empresa, Kentaro Takahara, explicou, no entanto, que sua gestão realizou uma contabilidade real na empresa, coisa que não vinha ocorrendo nos anos anteriores. "Estabelecemos 2012 como o ano da verdade na Sercomtel. Tudo que tinha de ser lançado no balanço foi lançado."
Por exemplo, entre os eventos extraordinários que ajudam a explicar um prejuízo tão grande, estão R$ 8,127 milhões de baixa de imobilizados. "Fizemos um inventário físico e contábil. São bens materiais sucateados e obsoletos que eram contabilizados como patrimônio", ressalta.
Outro evento que impactou no orçamento e que não está relacionado com a performance da empresa no ano passado são R$ 11,489 milhões de créditos tributários da antiga Sercomtel Celular. Por determinação da Receita Federal, esses créditos tiveram de ser estornados devido à incorporação. Eles haviam sido contabilizados positivamente no balanço anterior da empresa.
O programa de desligamento dos funcionários (PSDV) também impactou na contabilidade. "Ao todo, a Sercomtel deve gastar R$ 10 milhões com esse programa, que termina em abril. Esses valores já foram lançados no ano passado", afirma. Provisões para ações trabalhistas e civis totalizam R$ 15 milhões. "São números acumulados por anos e anos que não eram lançados", explica.
Mesmo descontando todos esses eventos, a Sercomtel registrou um prejuízo operacional de R$ 18,528 milhões. Segundo a empresa, alguns fatores explicam o péssimo resultado. Um deles é a instabilidade na administração. Quando assumiu em agosto de 2012, Takahara era o quinto presidente no período de um ano.
A redução das tarifas dos serviços para fazer frente à concorrência também teria colaborado bastante e provocado a queda de 11% na receita, de R$ 204 milhões em 2011 para R$ 181 milhões no ano passado. Um terceiro fator seria a falta de uma agência de publicidade. A estimativa é que somente em agosto deste ano a Sercomtel poderá fazer publicidade, após encerrado processo de licitação.
Takahara diz que a empresa conseguiu conter a evasão de clientes de portabilidade. No primeiro semestre do ano passado, a diferença entre o número das pessoas que deixavam outras operadoras e migravam para a Sercomtel e o número das que faziam o caminho contrário era de 400. "Em novembro do ano passado, conseguimos empatar essa disputa. Em dezembro, o resultado foi favorável para nós em 271 clientes e, em janeiro, também favorável com 299 clientes."
Para Takahara, "não é fácil competir como empresa pública num mercado extremamente competitivo com gigantes multinacionais a todo vapor". Ele disse que o prefeito Alexandre Kireeff se comprometeu a discutir com a sociedade qualquer proposta de solução para a Sercomtel.
Takahara lembrou que uma possível incorporação da telefônica pela Copel, sócia que detém 45% das ações da empresa, ainda não foi discutido oficialmente. Questionado se ficaria no cargo caso o prefeito pedisse, ele afirma que já foi sondando sobre isso no final do ano passado e que negou. "Tive uma infecção no coração e meus médicos estão pedindo para eu sair", afirma. Takahara deixa a presidência da empresa nos próximos dias. Hoje, durante assembleia de acionistas, deverá ser anunciado o novo presidente.

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