Arquivo FolhaNova fórmulaPavan: ‘‘A receita que fez a Sercomtel ocupar um lugar de vanguarda no Brasil, não vale para o futuro’’Ao entrar em seu 30º ano de operação, a Sercomtel S/A Telecomunicações tem como principal desafio encontrar caminhos para continuar crescendo depois da privatização da telefonia no País, que já começa a se consolidar. O presidente da empresa, Rubens Pavan, diz que esta decisão precisa ser rápida porque os grandes conglomerados que operam nos Estados Unidos, Ásia e Europa estão se unindo para explorar mercados emergentes como o brasileiro.
‘‘Antes da elaboração do Plano de Outorga, que o governo deve fazer assim que a Lei Geral das Telecomunicações for votada no Senado, a Sercomtel precisa decidir se permanece como está, se parte para privatização parcial e gradual ou para a privatização total da empresa. Até o próximo ano temos que definir este modelo’’, acredita Pavan, que se diz otimista sobre os novos rumos da Sercomtel. ‘‘A cidade de Londrina vai pensar numa solução conveniente para uma empresa deste gabarito’’.
Para Pavan, as mudanças são necessárias porque, para enfrentar um mercado aberto e competitivo, é preciso velocidade de decisão, uma capacidade extraordinária de investimento, capital de giro elevado e poder de associação com operadoras internacionais. ‘‘O mercado vai mudar. A mesma receita que fez com que a Sercomtel ocupasse um lugar de vanguarda no Brasil, não vale para o futuro’’.
A excelência do serviço telefônico de Londrina é conhecida nacionalmente. A Sercomtel detém, no momento, o melhor atendimento de telefonia do Brasil - medido pelo índice de densidade de telefones por habitantes. ‘‘São 35 telefones por 100 habitantes, entre telefonia móvel e fixa’’, diz. A segunda colocada é a TeleBrasília, que atende a região Centro-Oeste e que tem 18,4 telefones por 100 habitantes. A média brasileira é de 12,9 telefones por cada 100 habitantes. Na telefonia celular, o quadro é ainda mais positivo. Enquanto a média nacional é de 1,6 aparelhos por 100 habitantes, Londrina conta com 7,2 celulares para cada 100 pessoas. Neste setor, a empresa tem números superiores a alguns países de primeiro mundo como a França, que tem três celulares para cada grupo de 100 habitantes.
Além de ter sido a primeira operadora do interior do Brasil a adotar a telefonia celular, em 1992, e a quarta do País - perdendo apenas para o Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba -, a Sercomtel foi a primeira a implantar o sistema celular digital no Brasil, ativado comercialmente em maio do ano passado. A empresa investiu US$ 7 milhões neste sistema. Hoje, a Companhia Telefônica Brasil Central (CTBC), que atende principalmente o Triângulo Mineiro, também tem celular digital.
A Bolsa de Telefones, adotada há cerca de quatro anos, e que foi responsável pela popularização do serviço telefônico na cidade, também é uma iniciativa a ser comemorada, segundo o presidente da Sercomtel. ‘‘Somos a única operadora brasileira a trabalhar com cessão temporária de uso de telefones’’, lembra Pavan.
Somente no Conjunto União da Vitória, uma das regiões mais carentes de Londrina, existem atualmente 370 telefones em funcionamento. A mudança de postura da empresa, que passou a tratar o telefone não como um bem mas como um serviço que pudesse ser estendido a toda população, obrigou a Sercomtel a investir pesado na implantação de novas centrais telefônicas.
Em 1993, a empresa aplicou US$ 4 milhões nas ampliações.
No ano seguinte, com o aumento da demanda, foram US$ 25 milhões. Em 95, US$ 29,6 milhões. Até setembro do ano passado, quando ainda era autarquia, a empresa destinou US$ 16,7 milhões para as expansões e, nos últimos três meses do ano, já como sociedade anônima, outros US$ 6,5 milhões. O diretor de marketing e de serviços, Walter Campanelli Júnior, conta que, para este ano, o investimento previsto é de R$ 30 milhões.
Atualmente, a Sercomtel tem 12 centrais telefônicas, 21 estágios de linha remota - centrais periféricas que dão suporte às centrais telefônicas - e 21 ERB (Estação Rádio Base), que são antenas para utilização da telefonia celular. Em extensão de cabos espalhados pela cidade, são 100 quilômetros de fibras ópticas, 2,5 mil quilômetros de cabos subterrâneos e 1.050 quilômetros de cabos aéreos.
Campanelli diz que, por ser um mercado restrito, a tendência é de crescimento vegetativo no número de telefones em Londrina. ‘‘Há dois anos, 80% das residências já tinham telefone’’, lembra. Mesmo assim, existe fila de espera em alguns pontos da cidade. ‘‘Mas é setorizada. Para a Gleba Jacutinga, temos uma fila com 380 pessoas. Até o final deste ano ampliaremos nossa capacidade, acabando com o problema das filas’’, diz. Segundo Campanelli, na maioria das regiões de Londrina, a espera pela instalação do telefone leva uma semana.
Para tentar ocupar o máximo de espaço disponível na telefonia móvel, antes do concorrente da Banda B se instalar em Londrina, a empresa lançou, em abril passado, a campanha Celular na Mão, abolindo a taxa de habilitação do celular, que hoje custaria R$ 327. O resultado da campanha foram 2,5 mil novos aparelhos ‘‘falando’’ em ruas, bancos, carros e por toda a cidade. Hoje, são 27 mil aparelhos celulares e 115 mil telefones fixos em funcionamento.
Segundo o balanço de 96, a empresa tem 918 funcionários - destes, 50% com curso superior. Com uma receita operacional bruta de US$ 100 milhões no ano passado, a Sercomtel recebeu uma média mensal, na telefonia fixa, de 3,4 milhões de ligações interurbanas nacionais; 21 mil ligações interurbanas internacionais e 35 milhões de ligações locais. A média mensal na telefonia celular foi de 280 mil ligações interurbanas no ano passado; 1,7 mil ligações internacionais e 1 milhão de chamadas locais.

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