Sercomtel pode vender ações nos EUA
Transação fechada com a Copel permite à telefônica de Londrina participar do ‘capital de risco’ da estatal
Carmem Murara
Arquivo FolhaCo-gestãoHubert, presidente da Copel: ‘‘Não seremos acionistas passivos, vamos atuar na definição de projetos’’A Sercomtel S.A. - empresa de telefonia de Londrina - pode ser listada para operar na Bolsa de Valores de Nova York num curto espaço de tempo, que pode ser inferior a um ano. A colocação da empresa no mercado financeiro internacional se dará automaticamente devido à participação da empresa no capital de risco e de crédito da Companhia de Energia do Paraná (Copel).
A estatal paranaense é a mais recente acionista da Sercomtel com a compra inicial de 35% das ações com direito a voto. A empresa de energia fechará a compra de outros 10% nos próximos dias, numa operação que totalizará R$ 186 milhões.
A possibilidade de a Sercomtel entrar na Bolsa de Nova York foi revelada ontem pelo presidente da Copel, Ingo Hubert. ‘‘Poderemos colocar a Sercomtel na Bolsa de Nova York, pois a empresa participa do nosso mercado de capital de risco ’’, afirmou Hubert.
Ele fez questão de enfatizar que a Copel comprou ações da empresa de telefonia não apenas para negociar os papéis no mercado financeiro, mas para participar das decisões da empresa. ‘‘Não seremos acionistas passivos da Sercomtel, queremos trabalhar na definição de projetos’’, disse. Uma das propostas a ser concretizada é a entrada na Bolsa de Nova York.
A Copel foi a primeira empresa de energia a comercializar ações na Bolsa de Nova York. A operação se deu no ano passado, quando a Copel fez uma emissão de ações primárias para aumento de capital.
Na época foram lançados 27,7 bilhões de ações preferenciais nominativas (PN), simultaneamente, nas Bolsas de São Paulo (6,6 bilhões) e Nova York (21,6 bilhões). O capital da Copel aumentou de R$ 546,8 milhões para R$ 1,08 bilhão.
A entrada da Sercomtel no mercado internacional ainda não tem definições e detalhes. Uma das hipóteses é a de que a Sercomtel poderia comercializar as ações preferenciais (aquelas que não dão direito a voto) dos acionistas, ou então, fazer aumento de capital (emissão primária de ações). Os tipos de operações que podem ser realizados serão definidos entre os acionistas da Sercomtel, caso haja consenso, afirma o presidente da Copel.
No mercado financeiro internacional, a compra das ações da Sercomtel pela Copel, fechada na semana passada, foi vista por analistas econômicos como uma operação de risco. Alguns jornais chegaram a dar pequenas notas informando que a Copel agiu com imprudência ao adquirir ações de uma empresa de ‘‘telefonia desconhecida’’. ‘‘Essa reação é considerada normal, pois muitos investidores estrangeiros imaginam que o Brasil não é um país sério’’, afirmou Ingo Hubert.

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