Sercomtel pode vender ações até junho
Cláudia Lopes
De Londrina
A Sercomtel S/A Telecomuniçações, que opera a telefonia fixa em Londrina, pretende começar a captar recursos no mercado de capitais entre maio e junho deste ano. A operadora protocolou um pedido de registro como sociedade de capital aberto na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no início deste mês e aguarda a posição da Comissão nos próximos 30 dias. No momento, a Sercomtel consta da lista da CVM de registros iniciais de companhias em análise, ao lado da Sanepar Companhia de Saneamento do Paraná.
O presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, afirmou ontem à Folha, por telefone, que a intenção da empresa é captar recursos através da emissão de ações preferenciais, que dão direito a um dividendo anual mínimo, mas não a voto. A venda de ações ordinárias (com direito a voto) não está sendo cogitada, diz.
O estatuto da companhia prevê um aumento na emissão de ações preferenciais em até 2/3 do capital. Atualmente, a empresa tem 1/3 de preferenciais e 2/3 de ordinárias. Podemos inverter estas posições, explicou Pavan. Segundo ele, a empresa não pretende ocupar todo este limite, no momento. Com a emissão das preferenciais, a Sercomtel poderia captar no mercado de capitais até R$ 297 milhões, que é o limite entre o capital integralizado e o capital autorizado da empresa.
Mas não vamos precisar de um volume tão grande de dinheiro. Devemos captar apenas o necessário para alavancar nossos investimentos, garantiu Pavan. Será uma quantia bem inferior ao limite permitido por lei, afirmou. O presidente da Sercomtel disse que a empresa também pode captar recursos através da emissão de debêntures (títulos públicos) ou de outro título de fácil aceitação no mercado.
Os projetos que necessitam deste dinheiro são as divisões de internet, TV por assinatura e call center, segundo Pavan. O valor das ações será determinado pela Assembléia Geral dos Acionistas.
Pavan afirmou que o pedido de abertura do capital da Sercomtel faz parte de uma estratégia antiga da empresa e que não tem nada a ver com o atual momento político de Londrina. Não podemos parar a empresa esperando a solução de problemas políticos. A competição nas telecomunições é acirrada. Temos que nos preparar para a abertura do mercado, que acontece daqui a dois anos, reforçou.
Os momentos políticos, a que se referiu Pavan, são as denúncias de corrupção envolvendo a prefeitura de Londrina e o pedido de impechment do prefeito Antonio Belinati, feito anteontem por entidades de classes. As denúncias contra o prefeito referem-se justamente ao destino dos R$ 146 milhões arrecadados com a venda de 45% das ações da Sercomtel, há cerca de dois anos.
Pavan também negou ontem os boatos de que a Sercomtel Celular estaria sendo comercializada. Isto é tudo buchicho, garantiu.





