Sercomtel fecha negócio com a Copel
e vende 45% das ações por R$ 186 mi
- Patrimônio é avaliado entre US$ 270 mi a US$ 310 mi
- Ágio da negociação foi de aproximadamente 40%
- Estatal vai repassar R$ 166 milhões à vista à telefônica
Cláudia Lopes

César Augusto
ParceirosO prefeito Antonio Belinati abraça o presidente da Copel, Ingo Hubert, após fechado o acordo de vendaA Copel vai pagar R$ 186 milhões por 45% de ações da Sercomtel. Com a negociação, concretizada ontem, o município obteve um ágio de cerca de 40%, valor apurado a partir dos estudos da consultoria Capitaltec, que avaliou o capital acionário da Sercomtel entre R$ 270 milhões e R$ 310 milhões. Parte do pagamento - R$ 166 milhões - será depositada à vista hoje numa conta especial do município. O restante será pago no dia 15 de dezembro deste ano, atualizado pelo IGP com juros de 6% ao ano. O governador Jaime Lerner não participou do anúncio do negócio porque o avião que o trazia a Londrina não conseguiu pousar devido ao mau tempo.
A aplicação do dinheiro renderá R$ 1,3 milhão ao mês aos cofres municipais. Os recursos devem ser aplicados no Banestado e Banco do Brasil. A prefeitura também estuda proposta da Caixa Econômica Federal. A transação - considerada histórica - é a maior já feita pelo município de Londrina. A negociação entre Copel e Sercomtel começou há cerca de um ano, intensificando-se nos últimos cinco meses, segundo o presidente Ingo Hubert.

César Augusto
‘Tudo em casa’Emília Belinati, vice-governadora, e Rubens Pavan, da Sercomtel: empresa continua estatalSócia minoritária, a Copel terá participação na gestão da Sercomtel. Além de indicar um vice-presidente e um diretor de Novos Negócios (cargo a ser criado), contarará com a participação de dois conselheiros e da indicação (junto com a Sercomtel) do diretor financeiro da Sercomtel, cargo ocupado atualmente pelo economista Ismael Mologni. ‘‘Mas isso não quer dizer que Mologni deixará seu posto. Ele pode ser indicado pela Copel’’, afirma Gino Azzolini, secretário de governo do município. ‘‘Ficaremos com praticamente o mesmo número de representantes das duas empresas na diretoria’’. Além do presidente Rubens Pavan, a Sercomtel será responsável pelas direções administrativa, de marketing e de operações.
A Copel ficou encarregada de resgatar as ações caucionadas na gestão do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida, dívida avaliada em cerca de R$ 40 milhões, segundo Azzolini. ‘‘A estatal descontará o valor das ações caucionadas, depositando o líquido na conta da prefeitura’’, diz ele. Além dos R$ 186 milhões investidos na compra das ações de 45% do capital da Sercomtel fixa e 45% da Sercomtel celular, a Copel investirá R$ 150 milhões na ampliação de sua rede de fibras ópticas no Estado.
O presidente da Copel diz que o acordo é um ‘‘salto quântico’’ para as duas empresas e afirma que, por enquanto, não está interessado em tornar-se sócio majoritário da Sercomtel. ‘‘Juntas, as empresas são mais fortes’’, afirma. O contrato de compra de 35% das ações foi assinado ontem, segundo ele. O restante - 10% - ainda precisa ser submetido ao aval dos acionistas.
O aumento na quantidade de ações começou a ser negociada no início desta semana, quando a Copel apresentou seu plano de participação na gestão. ‘‘Como a Copel queria aumentar o número de representantes, propusemos a compra de mais ações’’, diz Gino Azzolini. ‘‘Vendemos a quantidade ideal’’. Como 10% das ações vendidas são reservadas aos funcionários - 4,5% - a Sercomtel vendeu seu limite para continuar no comando.
O presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, ficou satisfeito com o ágio obtido na negociação. ‘‘Foi um preço justo pelo que a Sercomtel representa’’, diz ele. O prefeito Antonio Belinati diz que terá cautela para usar o dinheiro. Ele participa de reunião hoje com os outros membros do Cogefi para discutir a utilização dos recursos.

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