Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
A Sercomtel desistiu de disputar o controle da Companhia Riograndense de Telecomunicação (CRT). Segundo o presidente da empresa londrinense, Rubens Pavan, a Telefónica pediu um valor muito alto pelo controle de 85,19% das ações da companhia gaúcha. ‘‘O preço mínimo extrapolava nossas expectativas frente à análise do mercado. Além disso, teríamos que levantar a quantia até sexta-feira, dia 4, o que seria impossível. Precisaríamos de 60 a 90 dias para cobrir a diferença de valores’’, disse Pavan à Folha.
A Sercomtel estudava a possibilidade de compra em parceria com duas empresas de telefonia internacionais ‘‘atuantes no Brasil’’, cujos nomes Pavan não quis divulgar. Ele também fez segredo sobre o preço mínimo pedido para aquisição da CRT. Segundo Pavan, somente a Telefónica poderá anunciar o valor. A previsão do mercado, ventilada pela imprensa, é que a venda das ações superará os R$ 2 bilhões.
Ontem foi o prazo final para as três empresas autorizadas – incluindo a Sercomtel – participar da negociação, apresentando propostas. A Companhia de Telecomunicação do Brasil Central (CTBC) e a Tele Centro-Sul mantêm sigilo absoluto sobre o assunto. As direções das empresas negaram-se até mesmo a dizer se estão ou não participando do negócio. Ambas afirmaram, através de suas assessorias de imprensa, que só farão comentários após o dia 4. Este é o último dia dado à Telefónica para transferir o poder das ações. De acordo com a Lei Geral das Telecomunicações, uma empresa não pode controlar o serviço de telefonia em duas regiões diferentes, como a empresa espanhola vinha fazendo.
Conforme determinação da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel), só poderiam concorrer à CRT as empresas de telefonia operantes na região Centro-Sul. Entre as três, a maior é a Tele Centro-Sul que presta serviço nos estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Santa Catarina, Paraná e a região de Pelotas (RS). Além disso, possui 8% das ações da companhia gaúcha.
‘‘A oportunidade de adquirir a CRT aumentaria as chances da Sercomtel expandir suas ações no mercado brasileiro, com o final do duopólio a partir de 31 de dezembro de 2001. Mas isso não quer dizer que sem ela não estaremos aptos. Para termos condições de enfrentar a concorrência no futuro precisamos cumprir determinadas metas estipuladas pela Anatel, e até agora temos atendido a todas as exigências’’, observa Pavan. A Telefónica não deu qualquer informação sobre a transação.