Sercomtel aposta em expansão para reverter prejuízos
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
A administração da Sercomtel - operadora pública de telefonia de Londrina -aposta na expansão dos serviços a todo o Paraná para melhorar sua performance financeira. Nos últimos 10 anos, tanto a empresa de telefonia fixa quanto a móvel apresentaram prejuízo em seis exercícios. O pior desempenho da Fixa foi em 2009, quando o resultado negativo foi de R$ 20 milhões (ver quadro).
Boa parte deste valor, segundo a empresa, está relacionado à decisão de lançar no balanço da Fixa os prejuízos que, na verdade, são das duas coligadas que exploram TV por assinatura em São José (SC) e em Osasco (SP). Já o pior resultado da Celular foi registrado em 2008: R$ 11,2 milhões negativos.
No ano passado, a Celular rompeu uma sequência de seis anos consecutivos de prejuízos, com um lucro de R$ 2,429 milhões. Mas isso ocorreu graças à antecipação do lançamento de créditos tributários oriundos da incorporação da Celular pela Fixa, processo ainda não autorizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Sem isso, o prejuízo seria de aproximadamente R$ 7 milhões.
O presidente da Sercomtel, Roberto Coutinho Mendes, considera ''perfeitamente possível'' reverter esta tendência. Ele conta que a empresa está investindo R$ 20 milhões neste ano em seu projeto de expansão, que prevê parceria da Copel nas maiores cidades do Estado. A Companhia Paranaense de Energia Elétrica detém 45% das ações da Sercomtel.
''Desde que a atual administração assumiu, foram feitos vários trabalhos de atualização do processo operacional da empresa, sobretudo na área de mercado, mas também reduzindo custos e otimizando a utilização da mão de obra interna'', ressalta.
Questionado se não seria o caso de retomar a discussão sobre a venda da única operadora de telefonia pública do País, ele nega. ''Mesmo sendo uma empresa pública, seremos competitivos, desde que consigamos expandir os negócios para todo o Estado'', declara.
A Sercomtel tem licença para atuar em telefonia fixa no Paraná inteiro. A Celular está autorizada nos 97 municípios da região 43. ''Até o final de 2012, a Sercomtel estará com sua bandeira plantada em 40 cidades. Quando chegamos aqui, a empresa só atuava em Londrina, Ibiporã, Tamarana, Cambé, Arapongas e Apucarana'', conta.
Aproveitando a rede de fibra ótica da Copel, a Sercomtel poderá ofercer voz e banda larga a todo o Estado. ''Teremos crescimento de receita com praticamente o mesmo custo'', garante.
Na opinião de Coutinho, as administrações anteriores ''fizeram a lição de casa'' investindo em tecnologia, mas não priorizaram a expansão para novos mercados. ''Se não crescer geograficamente, a empresa não alcança as receitas necessárias para apresentar bons resultados'', salienta.
O presidente admite que, por ser pública, é mais difícil para a Sercomtel competir com as gigantes do setor. ''Perdemos em velocidade. Temos de fazer licitações para tudo. Enquanto uma empresa privada consegue formatar e lançar um produto em duas semanas, nós temos de seguir uma série de requisitos que exigem mais tempo'', explica.
Mesmo assim, ele diz que ''uma Sercomtel adequada sob o ponto de vista da operação'' trará mais resultados ao Município do que outros investimentos que poderiam ser realizados no caso de venda da companhia. ''Trabalhar a ideia de privatização é traumática para qualquer administrador'', admite.
Segundo ele, a companhia atingirá seu ''ponto de equilíbrio'' em cinco anos. Coutinho arrisca dizer que a Sercomtel vale hoje R$ 1 bilhão.



