Sercomtel: apesar de sólida, ameaçada
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domingo, 28 de janeiro de 2001
Benê Bianchi De Londrina 
A empresa de telecomunicações de Londrina (Sercomtel) começa o ano com muitos desafios. Com uma arrecadação prevista de R$ 213 milhões para 2001 e acostumada a pouca concorrência apenas há dois anos vem dividindo clientes com a Global Telecom na área de telefonia celular , a empresa tem que se preparar para embates também na telefonia fixa, com o início das operações no Estado da espelho Global Village Telecom (GVT).
Telefônica londrinense faturou R$ 165 milhões em 2000, detém a mais moderna tecnologia do setor e domina a maior parte do mercado. Mesmo assim, está acossada pela concorrência no serviço fixo e celular. E pode ganhar sócios desconhecidos ainda este ano
Orgulho dos londrinenses, a Sercomtel foi uma das poucas empresas de telefonia do Brasil a crescer e se tornar sólida sob a administração municipal. Hoje, existe um terminal de telefone fixo para cada 3,19 habitantes no município. A teledensidade local sempre ultrapassou a média nacional e equipara-se a padrões de alguns países europeus, diz o presidente Francisco Roberto Pereira.
Funcionário da Sercomtel desde 74, onde começou como contínuo, Francisco Roberto acompanhou o crescimento da empresa e afirma que, no que se refere à tecnologia, a Sercomtel não fica atrás das gigantes que atuam no mercado, tendo sido a primeira empresa do Brasil a ter a rede fixa 100% digitalizada. Mas o desenvolvimento do setor no Brasil e a entrada de empresas internacionais obriga a empresa londrinense a vislumbrar novos horizontes para se manter no mercado.
Apontar os caminhos a serem trilhados com segurança e garantia de crescimento é a tarefa que ele delegou a um grupo de funcionários com mais de 20 anos de experiência nas áreas técnica, comercial e financeira. Em 30 dias, prorrogáveis por mais 30, o grupo deve apresentar um estudo sobre o cenário das telecomunicações no Brasil e como a Sercomtel deve se posicionar para competir no mercado.
O estudo também deverá indicar o futuro da Sercomtel Celular, assunto tratado com reserva por Francisco Roberto. Ele evita falar em venda da empresa, embora o próprio prefeito Nedson Micheleti (PT) não esconda a possibilidade de o município se desfazer da telefonia celular. Um estudo feito pela empresa de consultoria Lehman Brothers apontou um preço de venda da Sercomtel Celular de US$ 113 milhões. O levantamento fez parte da avaliação da Copel, que detém 45% das ações da Sercomtel.
Nossa intenção é manter a Sercomtel Celular como empresa pública, comenta Francisco Roberto, ressaltando que o cenário da telefonia celular é de extrema competitividade. A abertura das bandas C, D e E (por enquanto, suspensas por força de liminar), dará início à operação do Serviço Móvel Pessoal SMP , implicando ajustes de equipamentos para as operadoras que queiram acompanhar a nova tecnologia. Mas os investimentos necessários não são altos, observa Francisco Roberto.
O SMP, explica ele, dará condições à empresa de se transformar em operadora de grande distância, ou seja, o cliente pode ligar para qualquer parte do Brasil usando o DDD de sua cidade. Em função de tantas mudanças previstas e das dúvidas que ainda persistem, acho prematuro fazer qualquer afirmação com relação ao futuro da Sercomtel Celular, diz ele. Além de estudos, a possível venda das ações também depende de uma consulta popular, como determina lei aprovada pela Câmara em vigor desde março do ano passado.
Nós esperamos que o atual prefeito cumpra a lei e não tome qualquer atitude sem ouvir a população, como ocorreu na administração passada por ocasião da venda das ações da empresa de telefonia fixa, diz a vereadora Elza Correia, autora da lei do plebiscito junto com o atual presidente da Câmara, Tercílio Turini. Foi justamente para evitar eventuais vendas de ações sem uma discussão prévia com a sociedade, que os vereadores propuseram a lei. Em 95, foi aprovada a mudança da natureza jurídica da Sercomtel, que passou a ser uma sociedade anônima. Em 98 a Copel adquiriu 45% de suas ações, mesmo sob protestos populares.
Analisando apenas os números, o município não tem do que se queixar quanto ao desempenho da Sercomtel Celular. Com faturamento de R$ 45 milhões em 2000, a Sercomtel Celular, que detém 60% do mercado local, registrou crescimento de 22,9% no número de clientes ano passado, resultado de uma estratégia de venda mais agressiva e de novos serviços agregados. A previsão de arrecadação da celular é de R$ 52 milhões para 2001.
Temos que ter diferenciais, como preço, qualidade, atendimento e facilidades de acesso ao aparelho. Esses itens são atrativos para nos trazer clientes, afirma Francisco Roberto. A anunciada fusão entre a espanhola Telefónica e Portugal Telecom não assusta, na visão de Francisco Roberto. Nós já enfrentamos a concorrência da Global Telecom em Londrina.
Telefonia fixa A busca de novos mercados é a meta principal da Sercomtel para este ano. Francisco Roberto não quer dar detalhes sobre prováveis parceiros e cidades de interesse, mas admite que já recebeu visitas de representantes de empresas que gostariam de ser parceiras da Sercomtel.
A sondagem começou em virtude da abertura do mercado de telecomunicações, que acontecerá no início do próximo ano, conforme previsto no Plano Geral de Outorgas. Para ampliar mercado, as empresas de telefonia têm que atingir metas traçadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). De acordo com essas metas, a Sercomtel, no caso, deve ter 4.000 telefones públicos e 160 mil telefones fixos instalados. Francisco Roberto está convicto de que a Sercomtel irá atingir as metas. Hoje, são quase 2.350 telefones públicos espalhados pela cidade e aproximadamente 140 mil linhas fixas em operação.


