Exatos 27 anos depois de sua proibição no Brasil, o agrotóxico BHC - utilizado em larga escala nas lavouras de café entre 1950 e 1970 - finalmente está sendo retirado das propriedades de agricultores parananeses. A campanha contempla dois mil produtores que declararam em 2009 ao Governo do Estado que possuíam o agrotóxico armazenado, além de outros produtos sem uso. Ontem, a FOLHA acompanhou uma operação em Assaí que ilustra como funciona o processo de devolução destes agrotóxicos, iniciado no último dia 15 de março.
Pelo levantamento realizado há três anos pela Secretária de Agricultura e Abastecimento (Seab), existe no Estado por volta de 890 toneladas deste material de alta contaminação, sendo 640 só de BHC.
Para Carla Maria Pereira Paiva, engenheira agrônoma e fiscal da defesa agropecuária da Seab, estes números devem ser ainda maiores do que os divulgados. Ela explicou que muitos produtores não devem ter declarado posse dos produtos em 2009. Amparados pela Lei Estadual 16.082, eles passaram a ser isentos de quaisquer penalidades por ainda possuir o agrotóxico. ''Muitos não fizeram por medo ou por não acreditar que um dia se livrariam deste problema, que atravessou gerações'', relatou Carla.
Em 2001, o Governo Federal anunciou que tomaria medidas para recolher os produtos, mas o projeto ficou engavetado. Só na região de Cornélio Procópio, há pelo menos 79 toneladas de BHC. Apenas em um galpão de uma indústria de Assaí há um estoque de 15 toneladas do produto armazenados há 18 anos. Esse local foi transformado em um dos 20 armazéns do Estado que irão receber todo o material recolhido até julho. ''Muitos produtores armazenavam de forma incorreta, enterravam e até utilizavam o agrotóxico para combater pequenas pragas como pulgas, piolhos e formigas. Como não havia uma destinação adequada, por muitos anos os agricultores ficaram reféns deste material em suas propriedades'', explicou a agrônoma.
Para entregar este material nos armazéns cadastrados, os agricultores receberam kits de segurança contendo sacos de acondicionamento, equipamentos de proteção individual (EPI), folhetos explicativos sobre o manuseio, além de uma cópia da portaria do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para o transporte do agrotóxico até o local especificado. ''No momento da devolução, o produtor recebe uma certidão de que entregou o produto. O BHC é um organoclorado de toxicidade aguda, que não se degrada na natureza e é altamento cancerígeno e desregulador endócrino'', salientou a representante do Seab.
Para os produtores que não se cadastraram em 2009 para a devolução dos agrotóxicos, fica a expectativa do Governo realizar um novo cadastramento, ainda sem data definida. Depois das cidades de Apucarana, Assaí e Maringá, os os produtores de Londrina, Cambé e Santa Mariana irão entregar os agróxicos, entre os dias 5 e 26 de abril. Todo o material recolhido será transportado para São Paulo, onde vai ser incinerado por três empresas especializadas.

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