Será afetado pela crise quem tiver investimentos na Bolsa
A crise americana não antigirá de cheio o Paraná, devido o estado manter relacionamento comercial com a União Européia, países do Oriente Médio e Ásia. O Brasil sofrerá um pouco mais, porque mantém relações comerciais com os EUA. As afirmações são do professor de Economia, Vanderlei Sereia, da Universidade Estadual de Londrina.
O estudioso se colocou à disposição da Folha para responder as dúvidas que angustiam donas-de-casa, estudantes e profissionais liberais sobre a crise econômica mundial, especificamente, a crise hipotecária dos títulos podres americanos, conhecidos por subprime. As perguntas estão respondidas abaixo foram feitas por transeuntes (veja matéria nesta página) no Centro de Londrina ao economista da UEL.
O estudioso responde que a crise mundial começou devido a ascenção econômica nesta década do Brasil, países do Oriente Médio, Ásia e Indía. Estes países de economia emergente passaram a oferecer cada vez mais produtos industrializados e commodities (grãos e petróleo). Enquanto isso, segundo o professor, economias poderosas como EUA, Europa e Japão mantinham o ritmo normal de crescimento. Os países ricos não cresceram no mesmo ritmo, argumenta.
Sereia explica, que paralelo a esta situação, a economia americana passa a financiar produtos, entre eles, imóveis, com papéis (ações) falidos. Eram títulos podres, como mais tarde seriam conhecidos por subprime, vendidos no mercado financeiro para financiar imóveis. Fundos de pensões e bancos compraram estes títulos na Bolsa americana, sem saber que não tinham sustentação financeira (lastro), devido os compradores dos imóveis não estarem pagando suas prestações.
Após esta descobreta, investidores começaram a fugir dos papéis do subprime, promovendo o início da quebradeira de instituições financeiras na última quarta-feira. O Federal Reserve (Fed), Banco Central Americano, e o governo Busch resolveu intervir no mercado na última sexta-feira, injetando dinheiro do contribuinte americano, para salvar os bancos, injetando milhões de dólares.
O Brasil, segundo Sereia não poderá ficar totalmente imune à essa crise. O primeiro efeito que já começou a ocorrer logo após o anúncio da concordata do banco americano é a fuga de capitais do Brasil para os EUA. O efeito, como explica, é que vão diminuindo investimentos no Brasil; os produtos comprados em dólar ficarão mais caros; o Real será desvalorizado e o dólar se elevará daqui por diante. Mas o resultado não é de todo negativo, tranqüiliza. Vamos exportar mais commodities e produtos agropecuários, devido a valorização do dólar.
Sereia destaca ainda que as pessoas serão afetadas com a crise se tiverem investimentos na Bolsa, argumentando que desde maio deste ano os investidores perderam 30%. Ele recomenda colocar o dinheiro em poupança, Certificado de Depósito Bancário (CDB), Tesouro Direto entre outros investimentos.
O sobe e desce da Bolsa de Valores faz parte do jogo financeiro de quem investe no mercado de capitais. O investidor em Bolsa gosta deste sobe e desce (volatilidade) do mercado de capitais. Ora ele fatura, ora ele perde. Diferente de quem tem um perfil mais tradicional, que investe em papéis do governo ou poupança, sintetiza.
Sobre se as guerras patrocinadas pelo Bush ajudaram a alimentar a crise, o pesquisador diz não ter dúvidas disso. O orçamento para o exército americano é o maior de todas as pastas do governo dos EUA. Quem financia todos os gastos, indiretamente, somos nós (outros países), finaliza o professor Vanderlei Sereia. (E.P.F.)





