Ousadia e rapidez nas decisões. Para a diretora da concessionária Toyopar de Londrina, Maria Cristina Ibraim Jabur, essas são as principais características de uma empresa familiar. "Não precisamos dar satisfação para sócios externos", afirma. Por outro lado, este tipo de organização, segundo ela, tem como ponto fraco a possibilidade de que sejam misturadas as finanças da empresa e as particulares. "Já vi muitas quebrarem por causa disso em Londrina", declara. Maria Cristina garante que toma "todas as medidas" para que isso não ocorra na concessionária.
Outro ponto negativo que, de acordo com a empresária, é muito comum nas empresas familiares é o desrespeito à hierarquia. "A pessoa acha que, por ser filho ou filha do dono, pode chegar dando bronca em todo mundo. Aqui, na minha empresa, isso não acontece. Não permito que meus filhos chamem a atenção de um vendedor, por exemplo. Isso é papel do gerente desse vendedor", explica. Um filho de 23 anos e outro de 24 trabalham com ela. "A empresa precisa ser profissional", alega.
A Toyopar, que tem 120 funcionários, se prepara para adotar a governança corporativa com o apoio de uma consultoria. "Acho que será muito importante para a continuidade da empresa", declara. Outra medida que será tomada em breve é a implantação de um programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). "Vamos profissionalizar cada vez mais o negócio", informa.
Tendo trabalhado por 18 anos em multinacionais antes de assumir funções em empresas familiares, o diretor geral da Moinhos Globo, Paulo Florêncio, conhece bem as diferenças entre os dois tipos de organização. "No negócio familiar, as tomadas de decisões são mais rápidas e o ambiente de trabalho é mais agradável", afirma. Por outro, é preciso ter mais habilidade para negociar, de acordo com ele. "Os interesses dos sócios (das empresas familiares) muitas vezes são diferentes. Um quer crescer, outro quer manter o negócio como está", alega.
O diretor ressalta que a Moinhos Globo é uma empresa familiar com acordo de acionistas e conselho de administração, entre outras práticas de governança corporativa. "Os estudos apontam que a rentabilidade das empresas familiares é maior porque elas têm uma estrutura mais enxuta e um processo de tomada de decisões mais ágil, o que permite aproveitar melhor as oportunidades do mercado", declara. (N.B.)

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