Sentença sobre lavouras de uva sai em 30 dias
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quinta-feira, 22 de agosto de 2002
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Londrina - A ação indenizatória que quatro pequenos produtores de uva de São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio) movem contra dois agricultores, alegando danos em seus parreirais pelo uso indevido do herbicida 2,4-D, deve ter uma sentença em 30 dias. Segundo o cartório da Vara Cível da Comarca de Assaí, o processo iniciado há cinco anos está com a juíza Josiane Ferreira Machado Lima. A ação chegou a ser arquivada pela Justiça e reaberta em seguida.
Um funcionário do cartório informou ontem que a demora no julgamento da ação, protocolada no Fórum em 1997, foi motivada ''pela complexidade do processo''. Ele disse que várias testemunhas tiveram de ser ouvidas e a Dow Química, empresa fabricante do 2,4-D, foi indiciada. A empresa entrou com agravo de instrumento e fez com que a ação voltasse a ter como indiciados principais os irmãos Teruo Ouchi e Paulo Tetsuo Ouchi, os dois agricultores que utilizaram o agrotóxico em suas lavouras e que foram acusados pelos produtores de uva.
Os fruticultores alegam que os dois fazendeiros aplicaram de forma incorreta o herbicida em plantações de soja e milho. Levado pelo vento. o agrotóxico teria arruinado os parreirais e outras culturas de folha redonda na região.
O engenheiro agrônomo Carlos Alberto Simplício, da Agroben Produtos Agropecuários, que comercializa o herbicida, contou que em meados de 1998 prescreveu o 2,4-D aos dois fazendeiros. Ele argumentou que o produto ''tem 60 anos de mercado e é seguro''. Para o agrônomo, os irmãos Ouchi utilizaram o herbicida ''corretamente''.
Simplício afirmou que o 2,4-D ''não é o responsável pelo mau estado dos parreirais em São Sebastião da Amoreira''. ''Os sintomas de 2,4-D que constam das análises feitas durante o processo podem ter sido causados por outros fatores. As plantações talvez foram vítimas de outras patologias. Para saber ao certo, seriam necessários alguns exames que não foram feitos'', disse Simplício.
Paulo Ouchi afirmou que ajudou os agricultores de uva. ''Foi depois deles moverem a ação. Quis dar a mão, se eles achavam que tinha sido eu, tentei colaborar'', acrescentou. Ouchi garantiu que tomou ''os cuidados necessários para a aplicação do herbicida'' e argumentou que a falta de brotamento nas parreiras ''pode ter sido causada pelo clima''.


