Senado vai sabatinar presidente do BC
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domingo, 03 de agosto de 1997
João Domingos e Soraya de Alencar Agência Estado Brasília 
ArquivoSilêncio estratégicoGustavo Franco, que segue recomendação de Malan para não se pronunciar antes de passar pelo SenadoO governo espera definir esta semana a sucessão no Banco Central. Até terça-feira, dia 12, o presidente indicado do Banco Central, Gustavo Franco, deve tomar posse no cargo. Ainda hoje, segundo os líderes do governo no Congresso, o presidente Fernando Henrique Cardoso envia mensagem com o nome de Franco ao Senado. A expectativa é de que ele seja sabatinado na Comissão de Assuntos Econômicos nesta quarta-feira e aprovado em plenário na quinta-feira. Como sexta e segunda são dias em que Brasília está vazia, a avaliação do governo é que o melhor dia para a posse é a terça.
Numa consulta informal à CAE, o líderes do governo no Congresso, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), e no Senado, Élcio Álvares (PFL-ES), concluíram que o governo não terá qualquer problema em aprovar o nome de Franco na Comissão. Mas prevêem uma sabatina demorada em que o presidente indicado do BC será obrigado a responder a muitas perguntas, principalmente dos senadores da oposição. No caso, os petistas Eduardo Suplicy (SP) e José Eduardo Dutra (SE). Preocupam os parlamentares o déficit da balança comercial e o futuro da política cambial desenhada e conduzida por Franco na diretoria de Assuntos Internacionais do BC.
Arruda e Álvares estão seguros de que o fato de o senador José Serra (PSDB-SP), que sempre polemizou com Franco e é conhecido adversário do diretor, estar na presidência da CAE, também não trará dificuldade ao governo. Na verdade, a cena rara dos dois sentados lado a lado está sendo antecipada, dentro do próprio governo, como um ingrediente picante à sabatina.
Quando Serra deixou o Ministério do Planejamento para concorrer às eleições para prefeito de São Paulo, no ano passado, Franco chegou a ser aconselhado a sumir um pouco dos flashes da imprensa. Ele estava muito feliz e não podia demonstrar isso, relata um assessor próximo do presidente indicado para o BC.
Novo estilo Mas a sabatina pode revelar um novo estilo de Franco. Ele deverá lançar mão da defesa técnica da política do governo e deixando de lado a polêmica, uma de suas características desde que assumiu a diretoria do BC. Desde sua indicação, Franco segue recomendações expressas do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para não falar.
Com o desgaste que o Banco Central tem sofrido no Congresso, principalmente depois da CPI dos Títulos Públicos, a idéia é que Franco seja técnico e político.
Assim, o governo também não terá dificuldades para aprovar os nomes dos dois diretores do BC, o sucessor do próprio Franco, e de Alkimar Moura, que deixa a diretoria de Normas do banco. Os dois nomes podem ser anunciados ainda hoje. Sabe-se que o novo diretor da área externa do BC virá do mercado. Franco já fez a escolha que, agora depende do ministro Malan, antes de ser submetido ao presidente Fernando Henrique.
Dentro do BC considera-se que o melhor nome para substituir Moura seria o de Sérgio Darcy, chefe do Departamento de Normas. Cogitado outras vezes, Darcy recusou o cargo.


