O Congresso pressionou ontem o governo canadense para que decrete a imediata suspensão do embargo à importação da carne bovina brasileira. Durante uma hora, dez deputados e senadores tentaram sensibilizar o embaixador do Canadá, Jean-Pierre Juneau, a esforçar-se para pôr fim ao bloqueio.
A reunião no gabinete do presidente da Comissão de Relações Exteriores e da Defesa Nacional da Câmara, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), foi aberta aos jornalistas. O embaixador esclareceu que a agência de vigilância sanitária do Canadá tinha autonomia para tomar qualquer decisão.
O momento mais tenso da conversa foi quando o senador Osmar Dias (PSDB-PR) enfatizou que agricultores e industriais do Brasil deixariam de importar, por exemplo, o enxofre canadense. O embaixador afirmou que a retaliação dos empresários tratava-se de um ato ilegal e que o Brasil estaria ferindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
‘‘Ilegal é o Canadá suspender a compra da carne brasileira sem que para isso houvesse qualquer pedido de esclarecimentos às autoridades do nosso País’’, devolveu Dias.
Juneau deixou o prédio da Câmara sem esboçar nenhum sinal de que iria defender, no governo canadense, a proposta dos parlamentares.
Osmar Dias pediu que o embaixador divulgasse os pedidos de informações que ainda faltavam para que o Canadá suspendesse o embargo.
Juneau explicou que era necessário dizer como o País está monitorando o rebanho importado da Europa. Além disso, ele afirmou que era importante para as autoridades canadenses saber sobre a farinha de osso bovino produzida no Brasil.
Durante todo o tempo, os parlamentares procuraram dar ênfase ao fato de que as cabeças de gado importadas da Alemanha e da França não se destinam ao abate, mas para a reprodução, e que 99% o rebanho brasileiro se alimenta de vegetal e não de ração animal. O senador Íris Resende (PMDB-GO), ex-ministro da Agricultura, enfatizou que, enquanto a disputa comercial entre Brasil e Canadá se limitou ao embate da Embraer e da Bombardier, as relações diplomáticas seguiam os rumos normais.
‘‘Mas, quando mexeram com a carne brasileira, virou uma mobilização nacional’’, disse o senador. ‘‘Aqui no Brasil muitos sobrevivem da agropecuária ou possuem parentes ligados ao campo.’’

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