Senado deve votar correção do IR na quarta
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Agência Estado<br>De Brasília 
O Senado tem pressa em votar o projeto de lei que corrige a tabela progressiva do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 17,5% e alivia a carga fiscal dos assalariados. Ontem mesmo, foi aprovado o pedido de votação em regime de urgência urgentíssima. O texto da lei deverá ser aprovado na quarta-feira, dia 19, segundo afirmou o presidente do Congresso, senador Ramez Tebet (PMDB-MT). ''Eu tenho certeza de que esse projeto será aprovado ainda este ano, pois já foi consagrado como uma vontade do Congresso e da sociedade'', disse ele.
Ao reafirmar a intenção de votar o projeto assim que possível, o presidente do Senado mandou um recado para o governo. ''O presidente da República vai ter sensibilidade e não vetará o projeto. A área econômica precisa estar sensível, pois é uma questão de justiça e a tabela é a mesma há sete anos'', afirmou. Assessores do presidente Fernando Henrique Cardoso arquitetavam, desde anteontem, uma maneira de ganhar tempo e evitar a aprovação do projeto de lei no Senado ainda neste ano.
No entanto, antes que o governo pudesse articular qualquer estratégia, o texto foi lido, ainda ontem pela manhã, no plenário da Casa, dando início, assim, à tramitação. ''Estou cumprindo com o meu dever'', disse Tebet. Enquanto o texto era lido, o autor do projeto original de correção da tabela, senador Paulo Hartung (PSB-ES) colhia assinaturas para um pedido de tramitação em regime de urgência urgentíssima. ''Todos assinaram, inclusive o PSDB'', disse Hartung. O pedido de urgência foi aprovado no plenário por volta das 13 horas de ontem.
Veto A aprovação do projeto de lei que corrige a tabela do IRPF deixou o governo atordoado. Ontem, o secretário-geral da Presidência, Arthur Virgílio Neto, disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso poderá vetar o texto, editando no lugar uma medida provisória (MP) contendo algum alívio na carga tributária para os contribuintes. ''A MP ainda não está desenhada'', afirmou. A decisão de vetar, explicou Virgílio Neto, dependerá de uma análise do impacto da correção sobre as contas públicas em 2002. ''A gente compreende que uma bondade de curto prazo, às vezes, é uma grande maldade de longo prazo'', disse.


