José Paulo Lacerda/AE
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Tom de promessaFranco: ‘‘O Brasil não vai abusar do déficit nas contas externas’’O presidente indicado do Banco Central, Gustavo Franco, disse ontem em sabatina de cerca de quatro horas no Senado que o País não pretende abusar de déficits nas contas externas. Após a sabatina, a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovou a indicação de Franco por 21 votos a 6. Na terça-feira que vem, seu nome deverá ser submetido ao plenário da Casa.
A política de câmbio foi o assunto dominante durante a sabatina. Senadores argumentaram que a valorização do real em relação a moedas estrangeiras está provocando déficits comerciais (importações maiores que exportações). ‘‘Todas as economias emergentes têm déficit. É natural. Alguns países abusam. Os que abusam pagam seu preço. Este País não abusarᒒ, disse Franco.
Ao falar em economias emergentes que abusam, o presidente indicado do BC se referia aos países do Sudeste Asiático, como Tailândia e Malásia, que entraram em crise em decorrência de déficits elevados. Durante a sabatina, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apontou entrevista à Agência Folha em que, antes da crise, Franco apontava a Tailândia e Malásia como exemplos de países com alto déficit externo e que nem por isso enfrentavam dificuldades.
‘‘Em outros países que têm crise, não sou especialista. Não conheço nenhum dos dois países’’, disse Franco, sem negar declaração anterior na entrevista. Franco disse que, na implantação real, foi importante a adoção de uma âncora cambial, com o real valorizado em relação ao dólar, para permitir a queda da inflação. Segundo ele, com a crise do México, em dezembro de 1994, o Brasil adotou uma nova estratégia, com ‘‘recuperação natural da taxa de câmbio, que chega até hoje’’.
O governo espera que seja possível dar posse ao novo presidente do Banco Central até a próxima quinta-feira. A expectativa leva em conta que o nome do atual diretor de Assuntos Internacionais do BC deverá ser aprovado pelo plenário do Senado já na próxima terça-feira, como previu ontem o líder do governo na Casa, senador Élcio Alvares (PFL-ES).

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