Senado adia votação; protestos ficam violentos na Argentina
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terça-feira, 28 de maio de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires Um dia depois de ter conseguido o apoio dos governadores, o presidente Eduardo Duhalde sofreu uma derrota no Senado. Ontem, estava previsto que seria debatida e votada a eliminação da lei de subversão econômica, uma das exigências do Fundo Monetária Internacional (FMI). No entanto, no meio da tarde, os senadores do principal partido da oposição, a União Cívica Radical (UCR), anunciaram que não dariam o quórum necessário. Desta forma, a tentativa de realizar o debate foi adiada para amanhã.
A lei permite que a Justiça processe com facilidade empresários, banqueiros e funcionários públicos envolvidos em fraudes e casos de corrupção. Mas, segundo o FMI, isso causa insegurança jurídica nos investidores internacionais. Com a revogação da lei, teme-se o aumento da impunidade jurídica que prevalece na Argentina.
Duhalde também teve mais um dia difícil na área econômica e social, já que empresas de transporte de cargas e intermunicipal realizaram manifestações contra o aumento dos combustíveis. No interior do país, as principais estradas foram bloqueadas por agricultores e o mercado central de Buenos Aires foi cercado. Os produtores pedem que o litro do óleo diesel seja vendido a 0,75 peso, e não aos atuais 1,40.
Para complicar o cenário, diversos bancos foram atacados de madrugada supostamente por correntistas furiosos com o corralito (semi-congelamento de depósitos bancários). Uma agência do Banco Francés no bairro portenho de Villa Urquiza foi incendiada e outra na cidade de Rosário atacada por uma multidão armada com barras de ferro.
Hoje, Duhalde sofrerá a segunda greve geral de seus quase seis meses de governo. Desta vez, a paralisação organizada pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) será em protesto contra a fome, o desemprego e a entrega do país.


