Todos os dias uma média de 800 a 900 desempregados em Curitiba bate à porta do Serviço Nacional de Empregos (Sine) - que no Paraná leva o nome de ‘‘Sempre’’ - para tentar uma recolocação no disputado mercado de trabalho. Eles cumprem uma rotina que começa no balcão de atendimento do instituto e muitas vezes termina minutos após, com a frustação por não terem se encaixado em nenhuma das ofertas.
Da soma de 20 mil desempregados que recorrem ao Sine durante um mês, apenas 300 conseguem um emprego, o que dá uma relação de um trabalhador empregado para 66 que voltam às fileiras do desemprego.
A oferta de trabalho está em constante queda desde o final do ano passado, afirma o gerente da agência central do Sempre, Ari Batista da Silva. Ele conta que até outubro do ano passado, conseguia ofertar o dobro de vagas para trabalhos na indústria, comércio ou no setor de serviços.
Silva atribui a redução à crise econômica que se abateu sobre o País e levou o governo federal a baixar uma série de medidas, incluindo o aumento dos juros. O gerente da agência avalia que a situação de hoje é reflexo da política de redução de gastos e enxugamento adotado pelas empresas. Ele lembra que no dia 2 de janeiro deste ano, segunda-feira pós feriado, havia quase mil pessoas na fila na espera, que diminuiu pouco desde então.
Paralelo ao trabalho de relacionar as pessoas que procuram emprego, o Serviço Nacional de Empregos registra ainda todos os desempregados que dão entrada no Seguro Desemprego, benefício que garante um salário de R$ 210 durante seis meses. Por dia, os atendentes do Sempre estão recebendo entre 180 e 200 formulários.
‘‘Muitos desempregados ficam recebendo o seguro e passam para o trabalho sem registro em carteira’’, diz Silva. Ele conta que, na sexta-feira, um desempregado recusou um salário de R$ 350, oferecido no balcão do Sine, para continuar recebendo o Seguro Desemprego de R$ 210. O gerente do Sine diz ainda que um dos empecilhos para conseguir empregar os trabalhadores, que foram mandados embora, é a falta de qualificação profissional. (Carmem Murara)

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