O produtor brasileiro avançou bastante no modo de produção mas em termos de comercialização tem um espaço em branco para preencher. A afirmação foi feita ontem pelo diretor da Carraro Agrobusiness, Carlos Aberto Carraro, durante a abertura do 1º Seminário sobre Aplicação dos Mercados Futuros na Agricultura. ‘‘O mercado futuro demorou para chegar no Brasil, mas a tendência é de que tenha aceitação rápida’’, disse Carraro.
No Brasil, as operações em mercado futuro começaram há 10 anos, com a abertura da Bolsa de Mercadorias & Futuros em São Paulo. Mas, segundo o diretor de Cassificação da BM&F, Renato Teixeira, os negócios futuros com produtos agrícolas tiveram início na idade média (século 13), e a Bolsa de Chicago, que serve de referência para o mercado mundial, funciona há 150 anos. ‘‘O agricultor brasileiro sempre teve a garantia e o apoio do governo na hora de vender sua safra, mas isso já está mudando e o mercado futuro vem preencher esta lacuna’’, afirmou.
Segundo Teixeira, a BM&F é a quarta bolsa de commodities em volume de negócios. Ele diz que a BM&F movimenta diariamente entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões, mas apenas 2% deste valor é composto por negócios com commodities agrícolas. A maior parte do movimento da BM&F é resultado de operações futuras de ativos financeiros, principalmente dólar.
O diretor da BM&F observa que o principal entrave para uma maior participação de commodities agrícolas na bolsa paulista é a questão cultural do produtor. Teixeira diz que o ideal seria que a comercialização de produtos agrícolas através da bolsa de futuros representasse de 15% a 20% do volume negociado. Mesmo volume negociado nas bolsas dos Estados Unidos.
Teixeira disse que a BM&F está reivindica, há dois anos, junto ao Banco Central a sua internacionalização. Com isso, disse ele, a BM&F passaria a ser a única bolsa de futuros do Mercosul. Ele afirmou que a abertura para os países parceiros do Brasil ‘‘triplicaria’’ o volume de negócios com produtos agrícolas na bolsa. ‘‘Depois de aberto para o Mercosul, o aumento da liquidez funcionaria como uma bola de neve’’, disse.
Funcionamento Carraro disse que vender em bolsa de futuro é garante o preço do produto antes de colher, tendo condições para planejar sua atividade. ‘‘O produtor, com base no seu custo de produção, pode garantir sua margem de lucro com antecedência e administrar melhor os riscos de sua atividade’’, comenta.
O diretor da BM&F, disse que para vender ou comprar no mercado futuro, os interessados têm de se cadastras em uma corretora credenciada e acompanhar o movimento do mercado. Teixeira explica que na Bolsa não compra produtos, apenas funciona como local de negócios, onde as pessoas vendem e compram produtos. ‘‘Na Bolsa, o vendedor vende sem mostrar o seu produto, e o comprador compra sem mostrar dinheiro’’, ilustrou.
A garantia das partes envolvidas no negócios é o contrato. Teixeira disse que todo contrato é fechado mediante o pagamento da Margem de Garantia, que representa aproximadamente 5% do valor do contrato, que pode ser pago em dinheiro, CDBs, títulos, ouro ou fiança bancária. Outro mecanismo que garante o cumprimento do contrato são os ajustes diários que o produto negociado sofre. Teixeira explicou que todo dia os clientes devem depositar em dinheiro as oscilações de preço do valor contratado. Além destes mecanismos, Teixeira disse que todo contrato é garantido por uma Câmara de Compensação formada por bancos que têm títulos patrimoniais da BM&F.
Ontem os participantes do seminários puderam acompanhar via satélite, em tempo real, os pregões da BM&F. Segundo o operador da Carraro, Walter Coutinho, durante o evento, a Carraro comercializou 4,5 mil sacas de soja, que totalizou US$ 65 mil, e aproximadamente US$ 150 mil dólares em contratos de café.
O seminário, que está acontecendo no auditório Milton Alcover, na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, prossegue até sexta-feira. Carraro disse que não é necessário ter participado do primeiro dia para acompanhar a continuação do evento. Os participantes terão oportunidade de conhecer o funcionamento do mercado futuro de boi gordo, soja, café, milho, algodão e açúcar, que são commodities negociadas pela BM&F. A inscrição é gratuita.

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