A globalização da economia e a divisão das tarefas no setor de defesa agropecuária, hoje responsabilidade exclusiva do poder público, impõem novos desafios aos produtores rurais do Paraná. Para debater este novo cenário, o Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa) promove no dia 15 de dezembro, em Londrina , no Parque Governador Ney Braga, o Seminário Estadual sobre o Programa de Qualidade e Competitividade da Agropecuária.
O secretário executivo do Conesa, Wilson Pan, disse ontem que o setor agropecuário enfrenta problemas com a abertura do mercado brasileiro com a adesão do País ao Mercosul e à Organização Mundial do Comércio. ‘‘Os produtores brasileiros perderam competitividade com a entrada de produtos importados, que apresentam qualidade e preços baixos’’, afirmou. Pan afirmou que para recuperar a competitividade, os produtores precisam buscar alta eficiência, produtividade, baixos custos de produção e qualidade. ‘‘Hoje o consumidor não se importa com a marca do produto, mas sim com o preço e principalmente com a qualidade’’, comentou.
Pan disse que alguns fatores que provocaram a perda de competitividade dos produtos nacionais são de responsabilidade do poder público, mas observou que os produtores também têm uma parcela de participação neste problema. No lado do governo, Pan observou que o ‘‘Custo Brasil’’, com alta incidência de impostos, juros altos, sobrevalorização do Real e a entrada de matéria-prima com preços subsidiados e prazos de pagamento longo.
Já os produtores, segundo Pan, não se valem do potencial produtivo que a pesquisa desenvolve e oferece ao setor. No caso do leite, a produção média da região fica entre 6 e 7 litros/vaca/dia, enquanto com a aplicação de tecnologia poderia chegar uma média de 30 litros/vaca/dia. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, reconhece que existem tecnologias que poderiam otimizar a produção, mas fatores econômicos acabam limitando a aplicação. Ele observou ainda que os produtores que investem em tecnologia não encontram respaldo na comercialização.
Dividir responsabilidades O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, observou que a agropecuária brasileira caminha para o estabelecimento de parcerias entre o poder público e o privado. ‘‘O setor agropecuário tem clareza de que precisa participar de forma mais ativa na tomada de decisões porque o governo terá cada vez menos participação no processo de produção’’, comentou.
Pan observou que a defesa sanitária agropecuária, que sempre foi prerrogativa do poder público, passará a ser cada vez mais responsabilidade dos produtores. Já existe uma divisão de tarefas. O poder público ficará responsável pela criação de leis, registros de insumo e fiscalização.
O secretário executivo do Conesa observou que o seminário estadual sobre o Programa de Qualidade e Competitividade da Agropecuária irá definir a formação dos conselhos municipais e a forma de atuação. ‘‘Por isso é importante que todos os produtores rurais participem dos seminários’’, disse. Além de Londrina, o seminário será realizado no mesmo dia 15, em Guarapuava, no dia 16, em Francisco Beltrão e Ponta Grossa. O evento também será realizado em Maringá, Cornélio Procópio e Campo Mourão. Em Londrina, o evento será aberto às 9 horas, com inscrições a partir da 8 horas, e deverá contar com a presença do governador Jaime Lerner, com o secretário Nacional de Defesa Agropecuária, Ênio Marques Pereira e o secretário Estadual de Agricultura, Antônio Leonel Poloni.Mário CesarPan, do Conesa, com lideranças rurais, durante coletiva, ontem, em LondrinaGuto Rocha

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