Seminário discute fonte alternativa de energia
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segunda-feira, 08 de maio de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em termos de infra-estrutura, o Brasil não está preparado para um grande crescimento econômico. O alerta é de Frederico Reichmann Neto, coordenador do Seminário de Tecnologias Energéticas do Futuro (Stef), que teve início no domingo em Curitiba e termina hoje. No evento, especialistas discutem fontes alternativas de energia, tanto para transportes quanto para eletricidade.
A expansão das fontes de energia, um dos principais pilares da infra-estrutura, não foi prioridade dos últimos governos brasileiros. Os investimentos na área foram poucos. Em casos de grande crescimento econômico, o setor produtivo responde com rapidez. Já na infra-estrutura, que necessita de grandes aportes de recursos, a resposta é morosa. O governo tem que enxergar 15 anos na frente, pois os processos de planejamento e construção demoram anos, explicou Reichmann. O Brasil, infelizmente, não tem estoque de infra-estrutura.
O coordenador lembrou que o mundo vive atualmente a perspectiva de esgotamento das reservas de petróleo. Os especialistas trabalham com a hipótese de esgotamento do petróleo em 30 anos ou no máximo dentro de 80 anos. Dependerá do ritmo de consumo. Por exemplo, se a China e a Índia mantiverem os patamares atuais de crescimento da economia, o esgotamento ocorrerá mais rapidamente, disse Reichmann.
Ele comentou que, dentro dessa perspectiva, o Brasil precisa cogitar várias alternativas. Algumas aparentam ser mais viáveis, como a biomassa, mas Reichmann apontou que não se pode considerar esta ou aquela fonte de energia como a salvadora da lavoura. Temos que considerar várias fontes de energia, uma matriz energética muito mais diversificada. E enfatizar o uso racional da energia, a educação para utilização dos recursos, explicou.
Mas a introdução de novas tecnologias energéticas, para substituir o petróleo, deve ser gradual. Caso contrário, a economia quebra, ponderou Reichmann. A respeito da recente decisão do governo da Bolívia de nacionalizar as reservas de gás natural e petróleo, o coordenador considerou que a Petrobras correu um forte risco ao investir muito naquele país, devido à instabilidade política histórica na terra de Evo Morales.
Eu acho que nessa situação a Bolívia comprometeu sua imagem internacionalmente e o governo brasileiro foi muito omisso. A Petrobras aceitou a princípio algumas condições, mas acredito que nas negociações vai endurecer, disse o coordenador.


