A produção de alimentos através do sistema agroecológico representa apenas 1% de tudo que é cultivado no Brasil. Ações como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) auxiliam para a elevação desse percentual, mas ainda há muito o que ser desenvolvido em diversas dimensões, desde a pesquisa, passando pela produção e mercado, até aspectos conceituais e de formação de profissionais. Esses e outros assuntos estão sendo discutidos até hoje no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), com sede em Londrina, no "Seminário de Agroecologia Brasil-França".
O encontro reúne cerca de cem participantes entre pesquisadores, produtores, extensionistas, professores e estudantes de ciências agrárias. O convênio científico internacional de cooperação entre o Iapar com o Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França (Inra) garante a realização do seminário, inclusive com a participação de pesquisadores da entidade europeia.
De acordo com o pesquisador do Iapar Moacir Darolt, coordenador do encontro, as duas entidades realizam intercâmbios de pesquisadores para discutir o tema. Ele também enfatizou que, no sistema agroecológico, o produtor é peça-chave nas ações, pois ele está executando na prática o trabalho da pesquisa. "Também queremos ter um diálogo com os consumidores. Hoje, 80% dos produtos são comercializados em supermercados e isso distancia enormemente quem está produzindo dos que estão consumindo."
Ontem, durante o seminário, um dos temas debatidos foi as dificuldades encontradas na comercialização de produtos agroecológicos e alternativas para organização de canais para escoar essa produção, com preços interessantes para o produtor, fugindo da opressão das grandes redes de supermercados. "Na França, grupos de consumidores se organizam e apoiam agricultores adiantando dinheiro para eles produzirem alimentos de qualidade e livre de agrotóxicos. Isso, claro, depende de organização e da conscientização do consumidor", avaliou Darolt.
Outro tema que será discutido hoje e causa muitos transtornos para quem atua no sistema é a produção de sementes. Atualmente, o produtor não encontra sementes não transgênicas para sua lavoura. "O consumidor perde essa opção de escolha de um alimento não transgênico. A agroecologia tenta resgatar essas variedades e dar mais opções para essas pessoas, melhorando a saúde e a qualidade de vida não só dos consumidores, mas também do produtor e sem prejudicar o meio ambiente", avaliou Darolt.
Por fim, o pesquisador elencou desafios básicos, em diferentes dimensões, que precisam ser trabalhados no País. "Temos desafios técnicos, produtivos, de comercialização, através do fomento de vendas mais diretas, e até da conscientização de produtores, fazendo-os sair do sistema convencional e entenderem os benefícios do sistema agroecológico", complementou.

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