Seminário debate sociedade empresarial em Curitiba
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segunda-feira, 18 de agosto de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Acionistas, fundadores e herdeiros de empresas brasileiras estão participando desde ontem de um seminário que mostra as estratégias para evitar o fechamento de grandes empreendimentos por causa de conflitos entre os diversos sócios. Estatísticas mundiais demonstram que cerca de 90% das empresas são familiares. Deste total, dois terços continuam funcionando após três anos de implantação. Das empresas que se estabelecem no mercado, 34% sobrevivem depois da segunda geração e entre 14% e 17% durante a terceira geração.
''As empresas precisam se preparar para o futuro. Os herdeiros precisam estar inteirados de tudo o que acontece dentro da empresa e devem ser liberados para procurar realizar seus sonhos, mesmo sendo acionistas de uma grande empresa'', afirmou o sócio-diretor da Bernhoeft Consultoria Wagner Luiz Teixeira.
Ele citou como exemplo o caso do cineasta Walter Moreira Sales, que é também acionista do Unibanco. ''Quanto melhor cineasta ele for, melhor ele será como acionista também de um grande banco. Não se pode deixar que os herdeiros tenham a atividade empresarial como um fardo difícil de ser carregado. Ele pode desempenhar atividades extras, indo em busca da realização profissional'', orientou Teixeira.
Atualmente a Bernhoeft Consultoria, promotora do Seminário de Formação de Acionista da Empresa Nacional, que acontece até amanhã, em Curitiba, é líder do mercado nacional em consultoria de empresas familiares. Ela atende empresas de 14 cidades brasileiras e tem mais de 200 clientes. Também são atendidas empresas em sete países.
Entre as orientações dadas durante o encontro, está a formação de conselhos que facilitem o acordo societário. Três conselhos seriam fundamentais: conselho familiar (para discutir problemas familiares como o uso de bens e serviços da empresa), conselho societário (para discutir um conjunto de regras entre os sócios, como a venda das ações) e conselho administrativo (que tratará apenas da gestão empresarial). ''Comunicação é o principal fator para o sucesso de uma empresa. Todos os sócios precisam estar constantemente informados sobre o que acontece numa empresa. Isto evita os conflitos'', alertou o consultor.
Para Teixeira, se uma empresa é bem gerida, a quantidade de sócios não influencia no sucesso. Ele comentou que uma empresa alemã com origem siderúrgica tem atualmente 502 sócios. A empresa cresce mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) alemão e expandiu os negócios para os setores de lixo (reciclagem e limpeza urbana) e rede de farmácias.


