Seminário debate novos usos industriais
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terça-feira, 10 de abril de 2007
Reportagem Local 
A crescente elevação dos preços de petróleo e as alarmantes informações sobre o aquecimento global estão abrindo mercado para a adoção de matérias-primas alternativas, produzidas a partir de óleos vegetais, como a soja. Nos Estados Unidos, Japão e países europeus, a soja já vem sendo usada na fabricação de plásticos, lubrificantes, tintas para impressão, adesivos e solventes, entre outros usos industriais, e vem ganhando, cada vez mais espaço, por ser menos poluente, biodegradável e uma fonte renovável de energia.
Para despertar pesquisadores, empresários e profissionais brasileiros para essa nova oportunidade de negócio, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, promove, no Rio de Janeiro, hoje e amanhã, o seminário internacional ''Soja: Recurso renovável para usos industriais não alimentares'', no Windsor Barra Hotel.
''O evento vai apresentar os principais produtos industriais de soja já adotados no mercado internacional e as mais recentes pesquisas onde a soja é usada em substituição a componentes derivados de petróleo'', explica a pesquisadora Mercedes Carrão Panizzi, da Embrapa Soja.
Um dos destaques do seminário será o panorama dos usos industriais soja nos Estados Unidos e Europa. John Campen, diretor de usos industriais da Associação Americana dos Produtores de Soja, que irá mostrar versatilidade do grão no mercado americano. ''A indústria química tem procurado fontes alternativas de matérias-primas. E a soja tem se mostrado um sucesso nos Estados Unidos'', explica Campen.
Para Carlos Vaca-Garcia, do laboratório de Química Agro-industrial da França, na Europa existe um consenso que o uso industrial da agricultura como matéria-prima vai induzir o bem-estar econômico, social e ambiental. ''Está ocorrendo uma reorganização de novos e velhos mercados buscando a substituição do petróleo''. Apesar de a canola liderar esse processo na Europa, Garcia destaca que o uso industrial da soja cresceu 395% nos últimos cinco anos. ''A cultura é usada principalmente para a produção de biodiesel, mas já há experiências com vernizes, removedores, tintas e plásticos'', explica Garcia.
O uso de óleo e soja em lubrificantes industriais, a inclusão da soja no processo de produção de borrachas, plásticos duros e carpetes, a produção e utilização do glicerol - um subproduto do biodiesel, a produção de tintas à base de soja e o modelo americano de parceria em pesquisa entre os setores públicos e privados são alguns dos temas que serão abordados durante o evento.
Entre as palestras, também estão as experiências brasileiras. Adley Rubira, do Departamento de Química da Universidade Estadual de Maringá, mostrará a nanotecnologia aplicada a produtos industriais e Simone Meneghetti, da Universidade Federal de Alagoas, destacará os processos de aplicação de óleos vegetais na secagem de tintas. Annelise Gerbase, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vai tratar das perspectivas da utilização dos óleos vegetais para a indústria química e deve fazer um alerta: ''estas vantagens (dos óleos vegetais) só reverterão em benefícios para aqueles países que investirem em tecnologia. No caso de países como o Brasil, isto significa deixar de exportar somente grãos e produzir no país e exportar os óleos já modificados quimicamente, que serão utilizados como matérias-primas de produtos de maior valor agregado''.
O seminário internacional ''Soja: Recurso renovável para usos industriais não alimentares'' reúne cerca de 250 participantes, inclusive delegações estrangeiras vindas da Argentina, Bolívia, Chile, Estados Unidos, Alemanha, Nigéria, Colômbia e Holanda.


