Alexandre Cattelan diz que se o plantio da soja transgênica fosse liberado de imediato a Embrapa, como tem um acordo comercial com a Monsanto, a detentora da tecnologia, teria condições de dar início à multiplicação da semente. No entanto, o material só poderia ser disponibilizado no mercado, em escala comercial e de forma regular, a partir da terceira safra, ou seja para plantio em 2006/07. O pesquisador, que acredita numa debandada dos agricultores para a soja RR, explica que na venda da semente estariam embutidos os royalties, que não podem ser superiores à taxa cobrada nos materiais deles.
E alerta que o contrabando de sementes está desmontando o setor sementeiro do Rio Grande do Sul. ''Ninguém compra mais semente legal. Todo o plantio é feito com material ilegal. O que está quebrando os sementeiros.'' E diz ainda que esse quadro pode se alastrar para outros estados, porque tem gente incorporando, lá fora, o gen em variedades brasileiras para produzir sementes que entrarão clandestinamente no País. ''Isto é uma autêntica pirataria, um mercado negro'', diz.
José Aroldo Gallassini, presidente da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), empresa com faturamento estimado em R$ 3 bilhões neste ano, entende que com a liberação da soja transgênica o País passa a ter três mercados: a da soja orgânica, ainda muito pequeno, da convencional, o maior, e o standard como é chamado o de transgênico e de grãos misturados. ''Haverá sempre um mercado que vai querer soja convencional. E aí teremos de segregar o produto, o que é possível por meio de contratos firmados com o produtor rural, garantindo que a soja não é transgênica'', diz, acrescentando que atualmente é muito difícil controlar a soja clandestino, mesmo porque o Estado recebe grãos de outros Estados e países.

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