Guto Rocha
De Londrina
O problema orçamentário enfrentado pela Embrapa e a entrada de grandes grupos internacionais no mercado de semente está levando os produtores de sementes de São Paulo, Paraná e Santa Catarina a se unirem em uma fundação sem fins lucrativos para apoiar o desenvolvimento da pesquisa para o setor. A Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária está sendo instituída com base nas fundações já existentes no Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Bahia.
Segundo o coordenador da Fundação Meridional, Geraldo R. Fróes, de Londrina, o setor sementeiro da região Sudeste e Sul até agora não havia se mobilizado porque a Embrapa está próxima e houve uma certa acomodação. Agora, com o problema financeiro da instituição de pesquisa, os produtores resolveram se unir para ter acesso, de forma mais rápida, aos materiais genéticos desenvolvido pela pesquisa. ‘‘Temos que ajudar a resgatar o trabalho que a Embrapa desenvolve, valorizando seu corpo técnico e os materiais genéticos já desenvolvidos’’, comentou.
Fróes disse que representantes do setor sementeiro dos três Estados já se reuniram e também visitaram algumas fundações de outros estados para ver como funcionam estas instituições. No próximo dia 16, segundo Fróes, os produtores de semente se reúnem novamente na Embrapa Soja, em Londrina, para elaborar regimentos e o estatuto que vai reger a Fundação Meridional.
‘‘A próxima fase é ‘vender’ a idéia da fundação para todas as indústrias produtoras de sementes destes Estados’’, afirmou. No Paraná, segundo ele, existem seis núcleos sementeiros, com 110 produtores. Já em São Paulo e Santa Catarina, existem cerca 14 indústrias em cada estado. ‘‘Quanto mais produtores aderirem à Fundação, menores serão os custos’’, comentou.
O gerente do Escritório de Negócios Tecnológicos da Embrapa, Luiz Carlos Miranda, afirmou que com a parceria entre a instituição e a fundação, os produtores terão condições de terem suas demandas atendida de forma mais específica.
A princípio a Fundação vai financiar a pesquisa para o desenvolvimento de novas cultivares de soja. Para a Embrapa, este tipo de parceria permite que os produtores entendam de forma mais claras as dificuldades pelas quais a pesquisa passa. E também garante uma continuidade do desenvolvimento das pesquisas, uma vez que os recursos vem da iniciativa privada, diminuindo a dependência do Estado.
Segundo Miranda, o desenvolvimento da cultivar é feito pela Embrapa, mas os testes - que liberam o material básico para reprodução e depois para o mercado -, serão bancados pela Fundação. O técnico da Embrapa diz que o programa conta com 18 estações de testes nos três Estados. Os teste são coordenados pela Embrapa e acompanhado por fitotecnistas que devem ser contratados pela Fundação.
O gerente de Negócios Tecnológicos da Embrapa disse que os produtores de sementes devem investir neste primeiro ano entre R$ 700 mil e R$ 800 mil em todo o programa de desenvolvimento de sementes de soja, incluindo a parte administrativa da fundação. Miranda diz que, quando o material chega ao mercado, cabe à Embrapa uma participação entre 3% e 6% a título de royalties.
Miranda afirmou que com a fundação, os produtores também terão condições de dimensionar o tamanho do mercado e as cultivares e quantidades que devem ser produzidas. ‘‘Hoje este mercado é um salve-se quem puder, quando há um grande volume de uma cultivar mais procurada o preço vai lá em baixo’’, comentou.

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