Semana tensa no comércio entre Brasil e Argentina
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de outubro de 2000
Gecy Belmonte Agência Estado 
A semana promete ser tensa entre Brasil e Argentina que têm mais um problema a ser resolvido nas suas já debilitadas relações comerciais. Desta vez é barreira impostas aos suínos. Na sexta-feira o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes disse que, se a Argentina não retirar até o dia 15 as restrições à carne suína in natura do Rio Grande do Sul, irá determinar barreiras sanitárias a produtos argentinos. Segundo o ministro, a carne bovina poderá ser uma as primeiras a receber estas restrições. Atualmente, cerca de 50% das exportações de carne suína do Brasil para a Argentina são provenientes do Rio Grande do Sul.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, anunciou que fará uma reunião esta semana com representantes do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina para explicar que os focos de aftosa detectados no Rio Grande do Sul não comprometem as exportações de carne suína realizadas pelo Estado e tampouco representam risco de contaminação para os rebanhos daquele País.
Durante essa reunião, que ainda não tem dia marcado para ocorrer, os técnicos brasileiros irão explicar que os focos estão circunscritos aos municípios gaúchos de Jóia, Eugênio de Castro, São Miguel das Missões e Augusto Pestana.
Os técnicos vão observar ainda que, conforme determinam as regras do Escritório Internacional de Epizootias (OIE), não há risco de contaminação para as localidades que estejam a uma distância de 25 quilômetros da zona denominada como de vigilância sanitária.
Informarão também sobre todos os procedimentos que vêm sendo adotados para erradicar a doença, como o sacrifício dos animais e desinfecção das áreas contaminadas.
O prazo concedido por Pratini para que as relações comerciais entre os dois países se normalizem, com relação à venda de carne suína produzida no Rio Grande do Sul, é o próximo dia 15. A decisão do governo Argentino de impedir a importação de carne in natura de suínos nascidos e criados no Rio Grande do Sul, a partir de ontem, surpreendeu o Ministerio da Agricultura brasileiro.
No dia 25 de agosto, quando o Chile e o Uruguai anunciaram que suspenderiam as importações de carnes bovina e suína, respectivamente, a Argentina assegurou ao governo do Brasil que não faria restrições à aquisição desses dois produtos.


