Semana será decisiva para futuro do Mercosul
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segunda-feira, 04 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires O Mercosul enfrenta nesta semana uma agenda decisiva em sua estratégia de avançar com maior agressividade nas negociações comerciais mundo afora. Em Buenos Aires, os principais negociadores do bloco terão reuniões com seus pares dos Estados Unidos, da União Européia e do México, todas voltadas para acordos que permitam melhorar o acesso de seus produtos a esses mercados e a uma maior abertura de suas economias.
As discussões, entretanto, ocorrem em um período-chave para a Argentina, que enfrenta os desafio de colocar em prática sua nova agenda econômica e de superar uma crise institucional e que, depois de 13 anos, experimenta a flutuação de sua moeda. Conforme as normas do Mercosul, será essa mesma Argentina em situação de fragilidade que presidirá o bloco e que está à frente de todas essas negociações.
A agenda poderá ser concluída com o anúncio do início das negociações sobre o livre comércio entre o Mercosul e o México um pleito antigo dos dois lados. A reunião está marcada para a próxima sexta-feira. Os dias anteriores, entretanto, serão igualmente movimentados por parceiros que são peso-pesados no comércio com o Brasil e a Argentina.
Na quarta e quinta-feira, o Mercosul se encontra com os negociadores americanos para dar continuidade às conversas sobre facilitação do comércio.
Essas negociações foram ditadas pelo chamado Acordo do Jardim das Rosas, rebatizado como Acordo 4+1 com os Estados Unidos.
Entre os dias 6 e 8, representantes do Mercosul e da União Européia começam finalmente a discutir as suas propostas concretas para a liberalização do comércio. Encaminhadas no ano passado, ambas têm um ponto em comum: são consideradas modestas pelo lado oposto. O Mercosul apresentou uma oferta que excluiu 67,39% dos produtos industriais que importa da Europa Ocidental. Para o restante, propôs a redução gradual das tarifas, até alcançar zero, em um cronograma de dez anos. A União Européia nem sequer citou os produtos agropecuários de maior interesse do Mercosul na sua proposta.
A dificuldade intrínsica dessas negociações deverá ser acentuada pela situação interna do Mercosul, que sofre diretamente com a crise politica e econômica de um de seus principais sócios, a Argentina.
Conforme informou à AE uma fonte da diplomacia brasileira, a relativa tranquilidade estaria no fato de o governo argentino ter acentuado a sua prioridade ao Mercosul e ao andamento das negociações comerciais do bloco com o maior número de parceiros possível.
De acordo com a mesma fonte, essa orientação para a política comercial externa é uma das definições mais seguras do governo argentino. Apesar de haver pressões protecionistas no país e até mesmo dentro do governo, sua equipe econômica tenderá a promover uma política de maior liberalização comercial para assegurar o êxito de seu plano. A Argentina necessita abrir mercados para seus produtos no exterior como meio de elevar suas exportações. Com isso, conseguiria reativar a produção interna e assegurar o ingresso de dólares ao país. Essa estratégia é compartilhada pelo Brasil.


