Epa/France PressePalhaço contratado por loja em Moscou tenta atrair a freguesia
A julgar pela temperatura do mercado financeiro, as turbulências econômicas internacionais parecem cada vez mais próximas do Brasil. Inicialmente estiveram restritas ao Sudeste Asiático, depois atingiram a Rússia e, na semana passada, colocaram a Venezuela na berlinda.
Ainda que por razões diferenciadas, todos esses países têm em comum o fato de levantarem suspeitas sobre a sua capacidade de honrar seus compromissos no exterior. Se é assim, os especuladores começam a apostar que, para evitar a perda de reservas e, portanto, uma moratória com os credores internacionais, os países passem a desvalorizar suas moedas e a elevar os juros. Essa desconfiança acaba atingindo os países emergentes que têm déficit e são dependentes dos recursos externos para financiá-lo. Nessa lista está o Brasil.
Para esses países vai ficando cada vez mais difícil levantar recursos no mercado internacional para rolar o seu déficit. Mas economias mais sólidas também podem ser atingidas, na medida em que têm investimentos nos mercados afetados. Daí por que esse pânico no mundo inteiro.
Esta semana pode estar reservando novas emoções. Hoje, por exemplo, a Rússia, que decretou moratória na semana passada (interrupção do pagamento de suas dívidas interna e externa), deve anunciar seu programa de reestruturação da dívida. Dependendo do que for divulgado, os mercados podem voltar a ficar nervosos.
Outros focos de tensão podem vir ainda do Japão se a queda
do iene levar a China também a desvalorizar a sua moeda, outros países da região terão de seguir o mesmo caminho ou a Venezuela, que pode não ter como impedir a desvalorização de sua moeda, o bolívar.
Especialistas, no entanto, consideram remota a possibilidade de que o Brasil venha a ser afetado e tenha de mexer no câmbio ou nos juros: com reservas no nível de US$ 70 bilhões, as autoridades econômicas teriam condições de fazer frente a movimentos especulativos; o País continua recebendo recursos externos por conta do processo de privatização e investimentos diretos; o sistema financeiro está saneado e, portanto, mais firme para suportar solavancos.
A crise de desconfiança em relação aos países emergentes está longe de ser o único foco de problemas para a economia mundial. O economista-chefe do Banco ING Barings, Mauro Schneider, lembra que, na semana passada, o mercado relegou a segundo plano a crise japonesa. Mas, no começo do mês, foi justamente o temor de que o processo de perda do valor do iene em relação ao dólar se aprofundasse, levando a China a desvalorizar o yuan, que deflagrou a nova onda de instabilidade internacional.
Pior é que o problema japonês permanece latente, porque o país ainda não adotou as medidas enérgicas que o mercado esperava que tomasse. Se o iene voltar a cair fortemente, a situação mundial tende a complicar-se porque teria efeito em cadeia. Outro possível foco de instabilidade é a Bolsa de Nova York, que tem oscilado bastante.

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