Semana começa tensa para mercados
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domingo, 16 de setembro de 2001
Sergio Lamucci (BR) Agência Estado 
A retomada dos negócios hoje, em Wall Street, concentra as atenções dos investidores do mundo todo. O comportamento das ações americanas vai ditar o ritmo dos negócios dos mercados internacionais, que ficaram sem a referência do Dow Jones e da Nasdaq desde terça-feira. As incertezas em relação às consequências políticas e econômicas dos ataques terroristas aos Estados Unidos provocaram o temor de que o mercado nova-iorquino pode derreter.
No Brasil, o dólar e as projeções de juros dispararam e a bolsa despencou. É nesse cenário conturbado que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai definir até quarta-feira o novo nível da taxa Selic, atualmente em 19% ao ano. A expectativa dos analistas é de manutenção dos juros.
Boa parte do mercado espera que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) corte os juros hoje entre 0,25 e 0,5 ponto porcentual, para aumentar a liquidez e acalmar os investidores. Se isso ocorrer, a retomada dos negócios na Bolsa de Nova York pode ser menos traumática do que se imagina. Os analistas temem que o atentado afete a confiança do consumidor americano, o que pode transformar a forte desaceleração da economia numa recessão. Nesse cenário, uma ação rápida do Fed seria fundamental para reverter esse quadro adverso. A taxa básica de juros está em 3% ao ano.
Por aqui, a principal consequência dos ataques terroristas aos EUA foi uma pressão ainda maior sobre o câmbio. O dólar chegou a atingir R$ 2,74 na semana passada, e só não fechou nesses níveis porque o Banco Central (BC) ofertou títulos cambiais de curto prazo. A moeda encerrou os negócios na sexta-feira cotada a R$ 2,765, acumulando valorização de 37,11% no ano. A alta do dólar decorre principalmente do temor de que os ataques aos EUA aumentem a aversão global ao risco, diminuindo o fluxo de recursos para países emergentes.
Essa pressão sobre o câmbio é um dos fatores que devem levar o Copom a manter a taxa Selic em 19% ao ano. Um dólar nesses níveis afeta a inflação, ainda que a desaceleração da economia seja forte. O economista-chefe do BBV Banco, Octavio de Barros, é um dos que acreditam que os juros vão ficar onde estão. ''A Selic deve ser mantida inalterada até que se compreenda um pouco melhor o impacto do desaquecimento global sobre os fluxos voluntários de capital, sobre a demanda de produtos exportados e também sobre a Argentina'', afirma ele.
A maioria dos especialistas aposta nisso. Um aumento dos juros provavelmente não conteria a pressão sobre o câmbio, a não ser que a dose fosse cavalar. Além disso, o risco de recessão seria muito grande, afirmam os economistas. Outro problema é que a alta dos juros tem um impacto direto sobre as contas públicas, uma vez que mais da metade da dívida mobiliária do governo é corrigida pela Selic.


