A queda nas vendas e os estoques altos vão colocar de férias coletivas mais de 15 mil funcionários de duas montadoras: a Volkswagen e a Fiat. A freada na produção deve afetar a negociação salarial dos metalúrgicos da CUT e da Força Sindical, que já lançaram campanha por aumento real e reajuste nos salários.
Na unidade da Volks em São Bernardo, metade dos 16 mil trabalhadores deve ficar em casa por um período de 20 dias -de 15 de outubro a 5 de novembro-, informam o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a comissão de fábrica da montadora.
Para ajustar a produção ao mercado, a Fiat dispensou 70% dos 9,5 mil funcionários da fábrica de Betim (MG) por uma semana. Desde ontem até sexta-feira, a montadora deixará de produzir 7,5 mil veículos. Esta é a segunda ''parada estratégica'', segundo a assessoria da Fiat, neste mês. Nos dias 6 e 10 de setembro, a fábrica concedeu férias coletivas para todos os funcionários.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que as vendas no mercado interno caíram 7,6% em agosto passado na comparação com igual mês de 2000. Os estoques nas fábricas e nas revendas também aumentaram, segundo a associação. No mês passado eram 204,5 mil contra 198,9 mil em julho.
A assessoria da Volks não confirma a data, mas estima que o afastamento seja superior a dez dias no ABC e que possa afetar, se houver necessidade, a produção em Taubaté (SP), São Carlos (SP), Resende (RJ) e São José dos Pinhais (PR).
Nos cálculos da comissão de trabalhadores, a Volks tem ''encalhados'' 21 mil veículos em seus pátios. ''A empresa informou que só no mês passado a procura caiu 70% nas revendas'', Hélio Moreira, da comissão. Os funcionários devem procurar amanhã a empresa para pedir a redução do prazo de descanso.

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