Curitiba - Cooperativas e transportadoras de cargas do Paraná foram surpreendidas com uma fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que veio conferir se as empresas estão pagando o vale-pedágio, instituído em 2002 através de legislação votada no Congresso. A fiscalização, que começou na última segunda-feira, até a noite de terça-feira já tinha aplicado 200 autuações, no valor total de R$ 110 mil. Cada empresa está sendo multada no valor de R$ 550.
É a primeira vez que a ANTT realiza essa fiscalização no Estado. O trabalho não tem prazo para terminar. Os fiscais estão sendo apoiados pela Polícia Rodoviária Federal, que montou barreiras na BR-376 (altura de Ponta Grossa) e na BR-277 (no trecho que liga Curitiba ao Porto de Paranaguá). Os fiscais estão exigindo do motorista que está transportando a carga a apresentação do vale-pedágio em cartão ou em papel, como manda a lei. A multa está recaindo sobre a transportadora ou a embarcadora da carga e não contra o motorista, explicou a assessoria da ANTT.
A Federação Nacional dos Transportes de Cargas do Paraná (Fetranspar) recebeu bem a fiscalização, apesar também de admitir que foi surpreendida. O presidente da entidade, Luiz Anselmo Trombini, disse que as empresas não se recusam a pagar o pedágio, mas afirmou que a situação seria diferente se o governo do Estado tivesse firmado convênio com a ANTT para fiscalização do vale-pedágio. Os estados do Rio Grande do Sul e São Paulo já fizeram esse convênio e a fiscalização é feita pelas polícias rodoviárias dos estados.
De acordo com Trombini, a fiscalização federal só encontrou esse ''desleixo no Paraná porque o governador Roberto Requião sempre preferiu brigar e não conversar.'' O empresário disse que a legislação do vale-pedágio estabelece ordem na relação embarcador-transportadora e transportador-autônomo, e vai de encontro às necessidades do motorista autônomo. Isso porque, com o cartão ou papel específico, as empresas deixam de embutir o valor do pedágio no preço do frete ''que é o que acontece'', explicou. Com o vale, o motorista fica realmente isento do pagamento do pedágio e as transportadoras podem cobrar das embarcadoras, que por sua vez também colocam o valor no custo total do frete.
A Secretaria dos Transportes informou, por meio de sua assessoria, que o governo do Estado não pretende firmar convênio com a ANTT, que deve ser a responsável pela fiscalização arcando com o ônus e custos que ela representa. O foco do governo é baixar tarifas e não a fiscalização.

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