Sem-Terra vai dar apoio aos metalúrgicos demitidos da Ford
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quarta-feira, 20 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) vai dar apoio prático aos metalúrgicos da Ford, que lutam há 15 dias para reconquistar seus empregos. Durante encontro da coordenação nacional do movimento ontem, numa chácara em Cajamar, eles começaram a discutir formas de engrossar a mobilização contra a montadora. Ocupação pacífica de revendedoras da marca em todo o País, além de participação em passeatas e acampamentos junto com metalúrgicos foram algumas das idéias. Na semana passada, os sem-terra já ocuparam uma revendedora em São Bernardo do Campo, a Anchieta Veículos, durante cerca de quatro horas.
A iniciativa de juntar os sem-emprego com os sem-terra partiu da própria coordenação do MST, segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, João Ferreira Passos, que foi chamado para a reunião de Cajamar. Como sindicalistas acreditam que o movimento no ABC para que a Ford suspenda as 2,8 mil demissões será longo, o apoio foi muito bem-vindo, segundo Passos.
O sindicato enviou ontem cartas a todas as esposas de demitidos, convocando reunião para sábado. A idéia é discutir proposta de acampamento das famílias em Brasília, para pressionar o governo a reduzir o IPI dos veículos e a fazer mudanças na política econômica que incentivem o consumo e a produção.
Hoje, trabalhadores da Volkswagen, da Mercedes-Benz e da Scania começam a fazer doações de seus salários, em valor correspondente a duas horas de trabalho, para garantir o sustento dos demitidos. Foi aberta uma conta para receber donativos em todo o País (Nossa Caixa, agência 0051-5, conta 04-001145-9). A meta é atingir arrecadação de R$ 1 milhão por mês, para distribuir R$ 350 por demitido também ao mês, enquanto durar a queda de braço com Ford. Na quinta-feira, metalúrgicos de todas as montadoras farão uma paralisação e passeata na Via Anchieta.
Representantes dos empregados da Ford Ipiranga, que produz caminhões em São Paulo, reuniram-se ontem num sítio em Mogi das Cruzes para discutir o que fazer em relação ao excedente de 650 operários na fábrica, de um total de 1,8 mil. A empresa quer afastá-los da produção.


