Sem-Terra quer impedir a soja transgênica
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de julho de 1998
Mariângela Heredia Agência Estado 
O pedido feito pela multinacional Monsanto no final de junho para o plantio comercial de soja transgênica no País provocou a reação de lideranças de cerca de 10 entidades civis que foram ontem ao Ministério da Ciência e Tecnologia pedir a rejeição da proposta e também um amplo debate com a sociedade sobre os riscos que os organismos geneticamente modificados podem provocar. O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, foi o porta-voz do manifesto entregue ao presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio, Luis Antônio Barreto de Castro. Temos a sensação de estar entrando num quarto escuro e queremos acender a luz, disse o líder do MST para demonstrar o desconhecimento da sociedade sobre o assunto.
O presidente da CTNBio, Luis Antônio Barreto de Castro, fez um relato do funcionamento e composição da comissão aos representantes de entidades que participaram da entrega do manifesto, além de situar como estão os plantios de soja transgênica no mundo. Segundo ele, este ano serão plantados mais de 25 milhões de hectares de soja transgênica, em países como os Estados Unidos, Canadá e Argentina.
Castro destacou que a soja transgênica reduz o uso de inseticidas, lembrando que o Brasil gasta por ano R$ 2 bilhões com agrotóxicos para agricultura. E explicou que a função da CTNBio é verificar se o produto é seguro para o meio ambiente, a flora e a fauna. Disse que a comissão é integrada por 18 cientistas, representantes dos ministérios da Agricultura, Saúde, Meio Ambiente, Relações Exteriores e Educação, além dos Procons estaduais e representantes da indústria, que deverão decidir sobre o pedido da Monsanto a partir das informações dadas pela empresa. A CTNBio vai se reunir nos dias 12 e 13 de agosto, quando deverá avaliar as manifestações públicas contra o pedido da Monsanto.


